ANOS 70 E 80
A PRINCESA E O CAVALEIRO
(Ribon no Kishi.
Tezuka Productions. 52 episódios. 1967)
: Série da década de 60 e
criação original do genial Ozamu Tezuka, este anime foi um dos primeiros shoujos a serem animados.
Chegou por aqui nos anos 70, dizem que sem o áudio e os scripts originais.
Infelizmente, eu não tinha idade para assistir essa série quando ela foi exibida,
mas quem viu garante que foi uma das melhores a passar em nosso país, tendo marcado a infância de muitos meninos e meninas.
A história de Safiri é muito conhecida e vamos dar uma pequena palhinha: Nascida em um país, a Terra de Prata, no qual somente os homens podiam reinar, Safiri é criada como um menino por seus pais e tem que esconder sua natureza feminina para salvar seu trono e a vida. Depois de muitas aventuras, com a ajuda do anjinho Ching e do príncipe Franz, ela consegue vencer seus inimigos que queriam roubar-lhe não somente o trono mais a alma, também. Ah, e no fim Safiri termina nos braços de seu amado, ninguém mais que o príncipe Franz. No mangá original de Tezuka, eles chegam, inclusive, a terem filhos.
A Princesa e o Cavaleiro abriu caminho para uma de outras produções shoujo que se
centravam no drama da menina que deve, por motivos diversos, se comportar ou fingir
que é um rapaz. Entre tantas é possível citar duas
das principais obras de Ryoko Ikeda:
A Janela de Orpheus
e A Rosa de Versalhes. Existe
uma promessa da editora
JBC de lançar o mangá de Safire ainda
este ano (2002) no Brasil. É esperar pra ver!
CANDY CANDY
(Candy Candy. Toei. 115 episódios.
1976.) :
Série de tv baseada no famoso mangá homônimo em 9 volumes publicado
na Nakayoshi de autoria de Yumiko Igarashi (desenhos) e Kyoko Mizuki
(roteiro). As duas autoras fizeram outra parceria de sucesso em Lady Georgie, mangá/anime
com uma temática um pouco mais adulta que Candy Candy,
que não passou nem
perto do Brasil, infelizmente.
Já
Candy Cany rodou o mundo, e até hoje tem fãs ardorosos em todos os continentes, sendo
ainda exibida em alguns países. Tente procurar por essa série e toneladas de sites vão aparecer,
contradizendo a idéia de muitos fãs de anime que acreditam que somente animes recentes recebem
atenção na internet.
A série passou por aqui no início dos anos 80, na antiga TV Record. Seu horário nunca foi
fixo, sendo exibido de manhã ou a tarde dependendo da vontade da emissora. Essa mudança constante
de horário de exibição me prejudicou muitas vezes, quando passavam de manhã, eu estava na escola, se passavam
às 6 da tarde minha mãe queria ver novela ...
Outra questão importante
é o fato de no Brasil só termos assistido poucos capítulos da série,
tanto que até entrar na net eu nem sabia que Candy Candy era uma
história tão longa e com tantas reviravoltas. Aqui nós nunca chegamos sequer a conhecer Terry,
o segundo grandeamor
de Candy, ou ver a heroína se tornando enfermeira e cuidando de Albert que havia sido ferido na
guerra.
Mas e a história? Candy Candy se passa
no estado americano do Michigan às vésperas da I Guerra Mundial. Candy White é uma menina
abandonada quando bêbe na porta de um orfanato, o Lar de Pônei. Junto com ela havia outro bêbe,
de nome Amy, e as duas se tornam grandes amigas.
Ambas querem permanecer para sempre juntas no
orfanato e Candy faz de tudo para não ser adotada. Quando faz 10 anos uma família rica se
interessa por ela, mas Candy faz das suas de novo e acaba sendo rejeitada, Amy, entretanto,
tímida e comportada, acaba sendo escolhida por eles e trai sua amiga indo embora do orfanato.
Candy fica muito triste mas continua amiga da outra, até que a mãe adotiva de Amy, temendo
comentários de seus amigos ricos, proibe que a menina escreva para Candy ou qualquer um do
orfanato. Candy fica arrasada e sai chorando pela noite no meio de uma nevasca, no seu caminho
aparece um belo rapaz louro, vestido com roupas escocesas que a anima e lhe dá um guizo com um
brasão de família. A menina passa a chamá-lo de "O Príncipe da Colina" e decide que quer ser
adotada por aquela família. Assim, quando aparece a família Legan, cujo brasão era muito semelhante, Candy acha que seu príncipe mandou buscá-la e acaba aceitando a adoção. Na casa da família Legan, descobre que se enganou e acaba tendo uma péssima surpresa, pois tinha sido levada não para ser adotada, mas para fazer companhia às duas crianças da casa: Elisa e Neil. Os dois a rejeitam e maltratam e como o Senhor Legan, que é bondoso com ela,
quase nunca está acaba sendo transformada em criada. (No mangá ela nunca iria ser adotada mesmo,
tinha sido mandada para a casa dos Legan para ser dama de companhia de Elisa.) Candy poderia
voltar para o Lar de Poney, mas acaba se
apaixonando pelo menino da casa ao lado, primo de seus inimigos, Anthony. Ele é idêntico ao seu
"Príncipe da Colina" e o brasão de sua família é o mesmodo guizo que a menina ganhou mas ele diz
não saber de nada da história que ela conta. Apoiada por Anthony e seus primos, Candy nunca
esmorece apesar do sofrimento e acaba passando adotada pela família de seu amado, indo morar
pertinho dele ...
Bem, mas como sua vida é um mar de lágrimas a tragédia espreitava atrás da
porta e os dois terminam separados para sempre ... A história de Candy prosseguiu, embora não
a tenhamos visto, ela retorna ao orfanato, é mandada estudar na Inglaterra, apaixona-se de novo,
perde outra vez o amado, torna-se enfermeira na I Grande Guerra, recebe proposta de casamento do
nojento do Neal, descobre quem era o seu "Príncipe da Colina" ... Bem, é muita coisa para contar!
Com certeza, esta série foi o shoujo mais lacrimogêneo que já passou em nosso país, a ponto
de
muitos brincarem dizendo se tratar de uma grande novela mexicana. Mesmo não sendo exibida por
completo, a série de tv é um dos animes antigos mais amados e lembrados eem nosso país.
Espero que um dia a série ainda possa ser
reprisada em nosso país. Como Candy Candy não passou nos EUA e existe um
interesse crescente por animes antigos entre os fãs americanos, talvez a série se
torne alvo de interesse de algum fansuber de lá. Quem sabe?
ANGEL, A MENINA DAS FLORES
(Hana no Ko Lun Lun. Toei. 50 episódios. 1979.)
:
Uma das principais séries de sua época, Angel contou com a participação de praticamente
todo o staff responsável por Candy Candy, além do consagrado character design do mestre Shingo Araki
responsável pelo anime da Rosa de Versalhes e, bem mais tarde, por
Cavaleiros do Zodíaco. Foi a primeira série mahou shoujo a contar com um
marketing pesado e trilha sonora vendida em LPs. Apesar de tudo isso, é difícil encontrar algo
sobre
essa série na net. O melhor site sobre o seriado é um especializado em séries
mahou shoujo. Claro,
que se você procurar nos sites italianos por Lulú l'angelo tra dei fiori você vai encontrar algumas referências,
para boas imagens de novo a sugestão é o site Only Shoujo.
Aqui no Brasil a série fez muito sucesso,
e ainda era exibida em alguns países da América Latina até pouco tempo atrás.
Mas e a história? Angel é uma menina órfã que mora com os avós na França, sua
mãe morreu de parto e seu pai quando ela era bem pequena. Angel era um verdadeiro
tomboy até ser escolhida, por um cão e um gato falantes,
para encontrar a Flor das Sete Cores. Essa flor maravilhosa lhe daria a possibilidade de se tornar rainha do planeta Floral. Angel recebe uma chave mágica e ao mirar em uma flor lhe permite adquirir habilidades diversas (Piloto, atleta, enfermeira, etc.) por um tempo limitado. Acompanhada pelo gato e o cachorro falantes, ela vira o mundo, praticamente toda a Europa e parte da África, atrás da tal flor, sempre perseguida de perto pelos vilões vindos do planeta Floral, Malícia e
Ivan. Angel, também, tinha um auxiliar muito especial, Felipe. Vestido sempre
com roupas de montanhês, ele dava sementes de flores para as pessoas ajudadas por Angel ao final de cada episódio. A moça se apaixona por ele, mesmo que ele pouco a ajude, e sonha que ele seja o príncipe herdeiro do planeta Floral.
Angel passou por vários anos seguidos sem que o final da série fosse exibido, quando isso aconteceu, não mais no SBT mas na Record, tivemos gratas surpresas. Essa série não é de minhas favoritas, achava Angel muito boba e boazinha se comparada com Candy e Favos de Mel, entretanto foi uma das séries mais instrutivas que vi na infância, pois me estimulou a pesquisar em livros para saber mais sobre os lugares por onde a menina passava e me permitiu ouvir falar em Islamismo pela primeira vez. Se a série não é do seu tempo e voltar a ser reprisada, não deixe de dar uma olhadinha!
HONEY HONEY
(Honey Honey no Sutekina Bouken. Kokusai Eiga. 29
episódios. 1981.) : Outra de
nossas órfãs!

Essa série começou a passar no Brasil por volta de 1986 e, ao contrário do que
aconteceu com Candy Candy e Angel, passou várias vezes e integralmente (Se não me engano completo
já na primeira reprise.). O mangá que deu origem à série de TV é da década de sessenta e sua autora,
Eiko Mizuno, foi uma das primeiras mulheres na indústria do mangá. Bem distante do tom dramático
que marcava Angel e Candy, o forte de Honey Honey era o humor. Além disso, o character design da
série era bem menos glamuroso do que o das suas duas antecessoras. Acredito que em virtudde de não
ser uma produção de primeira linha.
A história da série era bem maluca, e tinha como cenário principal o centro e o
leste europeu da época da I Guerra Mundial. Honey Honey, chamada aqui de Favo de Mel,
era uma menina órfã que tinha uma gata chamada Lilly. A gata engole, por acidente,
um
anel valiosíssimo que a voluntariosa princesa Flora da Áustria havia escondido dentro de um peixe.
A princesa, que tinha muitos pretendentes, prometera se casar com quem lhe devolvesse o anel.
Daí,
a pobre Favos de Mel, que não deseja que matem sua gatinha, tem que fugir. Atrás dela os pretendente
s, a princesa e um charmoso ladrão chamado Fênix. Este último, aliás, faz o papel de um anti-herói
cômico, pois não hesita em mentir e enganar para conseguir seus objetivos. Como não podia deixar de
ser, ele se apaixona por Favos de Mel e ela por ele, além disso, a princesa Flora também cai de
amores pelo ladrão e quer vê-lo "preso" (a ela) de qualquer jeito ...
Se eu fosse falar de toda a história da série ocuparia um espaço imenso
, pois ela é cheia de idas e vindas, além de guardar uma imensa
surpresa para Favos de Mel, Flora e Fênix. Se você for procurar por informações
deste anime na net usando o título original ou simplesmente Honey Honey
vai ficar se frustrar,
pois ao que parece não existem páginas sobre essa série. Tente, no entanto, jogar o nome italiano
I Fantastici Viaggi di Fiorellino
e você vai se surpreender com o número de páginas que vai achar. Para imagens de Honey Honey, vá direto
na página italiana Only Shoujo. Você não vai se decepcionar! 
As décadas de 70 e 80 - Pelo menos a primeira metade. -
não foram de todo ruins para a animação no Brasil, e o gênero shoujo não foi exceção.
Assistimos três séries de ponta A Princesa e o Cavaleiro, Angel
e Candy Candy que também foram transmitidas em outros lugares do mundo, como Itália,
México e França. No entanto, deixamos de assistir na TV grandes clássicos como
A Rosa de Versalhes e
Aim for the Ace cuja importância se equivale à Patrulha Estelar, por exemplo.
Foi uma grande perda, pois certamente esses animes, muito avançados para a sua época, teriam
ajudado a definir o espaço dos "desenhos japoneses" no Brasil. Hoje, o acesso a eles é
praticamente impossível, salvo se você consiga trazê-los de
fansubers no exterior!
Valéria "Utena-sama" - 12/01/2002