A Espada de Paros (Paros no Ken no original)
foi um mangá praticamente desconhecido que me chamou a atenção por uma série de fatores.
Em primeiro lugar, a temática que em
muitos aspectos se aproxima de dois dos meus mangás/animes favoritos, Shoujo Kakumei Utena
e A Rosa de Versalhes. Em segundo lugar por ser um
mangá declaradamente shoujo-ai, i. e., que tem como par romântico central
duas mulheres, sem no entanto negar as protagonistas um final feliz, coisa muito recorrente, principalmente nos mangás mais clássicos.
Além disso, a desenhista desse mangá não é outra senão a famosa Yumiko Igarashi, uma das mães de Candy Candy um dos
maiores sucessos do shoujo de todos os tempos. Esses dois últimos pontos não podem ser desmerecidos, pois ao contrário do sucesso
de que gozam as histórias com temáticas gays (shonen-ai e yaoi), os mangás
centrados em romances entre mulheres dentro do gênero shoujo ainda encontram certa resistência e
caminham na obscuridade entre os fãs ocidentais por não terem se tornado séries animadas.
Mesmo não tendo se tornado um anime (outro indicativo de que esse tipo de história ainda é visto com ressalvas),
Paros no Ken ganhou vida no traço exuberante (e um tanto mais sóbrio nessa obra) de uma desenhista consagrada do primeiro time das manga-kás japonesas e isso no
longínquo ano de 1986!
A história original de Paros no Ken é baseada no primeiro de uma série de romances escritos por Kaoru Kurimoto, escritora
especializada em histórias de fantasia e terror. Sua obra é muito extensa e bem conhecida em seu país mas totalmente desconhecida no resto do mundo. Tivesse
Paros no Ken se tornado um anime, talvez a situação fosse diferente. De qualquer forma, a quadrinização de sua obra por
Yumiko Igarashi foi publicada em uma das revistas da Kadokawa Shoten e depois compilada em três volumes. Mais recentemente, a
obra recebeu uma republicação em dois volumes, que é o formato que eu consegui comprar.
A HISTÓRIA
A história se passa no Reino de Paros, em uma suposta Grécia medieval (Existe
efetivamente uma ilha de Paros por lá). Este Reino tem uma herdeira, Hermínia, uma princesa que prefere se vestir com roupas masculinas e
é o melhor espadachim do Reino. Hermínia tem um fiel companheiro, Yurius, que é profundamente apaixonado por ela e a segue como uma sombra.
A princesa sofre toda a sorte de pressões por parte do Rei, seu pai, e do conselho
de ministros para que se case mas resiste terminantemente a essa idéia.
Longe do palácio, uma jovem camponesa de nome Fiona sofre por ser órfã e é maltratada por suas companheiras de serviço (ela
é lavadeira) que debocham dela porque a moça acredita que vai se reencontrar com o "príncipe" que conheceu na infância. Um belo dia,
um garanhão selvagem segue em desabalada carreira e quase atropela as lavadeiras, quando o animal desnorteado
ia passar por cima de Fiona, eis que um "príncipe" aparece em seu cavalo e salva a moça. O "príncipe" não é ninguém mais do que Hermínia
com sua armadura.
Fiona reconhece em Hermínia o "príncipe" que a consolou quando criança. Já Hermínia mal pode
deixar de demonstrar o quanto gosta da moça e o prazer que representa aquele reencontro. Fiona sabe
que Hermínia é uma mulher mas nem por isso deixa de chamá-la de "príncipe" e retribuir timidamente (lembre que ela
é só uma componesa) o seu amor. Já Yurius, enciumado, desaprova claramente o relacionamento das duas, principalmente
porque percebe que Hermínia está apaixonada. Além disso, para o rapaz era absurdo que uma princesa e uma camponesa pudessem alimentar qualquer amizade,
dada a diferença social entre ambas.
Mas Hermínia insiste e volta a reencontrar Fiona, mesmo indo de encontro às convenções sociais (e porque não dizer sexuais)
e a desaprovação de Yurius. Um dia porém, quando a moça estava com Fiona, um grupo de cavaleiros aparece com o claro intuito de sequestrar
a princesa. Hermínia não foge da batalha mas os inimigos eram muito numerosos (não se deve confundir
isso com fraqueza) e ela acaba sendo ferida tentando proteger Fiona. Não fosse a chegada de Yurius, teria sido o fim.
Pouco tempo depois, Hermínia é pressionada por seu pai a aceitar um casamento para o bem do reino. Entre os ministros do Rei destaca-se
Afonso e é ele que mais destaca a necessidade do casamento da princesa e da chegada de um herdeiro masculino.
A discussão entre pai e filha é violenta e o rei chega a agredi-la fisicamente. Como resultado, Hermínia
recebe 10 dias para refletir sobre sua situação, a necessidade do casamento e de um herdeiro para o trono, sendo
que durante esse período a moça
estaria proibida de sair do palácio. Hermínia fica extremamente deprimida mas não se dobra. Sabendo que sua amada está
triste, Yurius decide ajudar Hermínia a se encontrar com Fiona. O rapaz entra pela janela no quarto de Hermínia, os dois trocam de
roupa e a moça sai para se encontrar com
Fiona que, trazida por Yurius, esperava debaixo da janela.
O reencontro entre as duas é muito tocante e Hermínia e Fiona terminam por se declarar uma para a outra. Juntas
passam a noite em uma festa de carnaval, onde dançam, bebem e se divertem. No fim da noite, Hermínia
termina por revelar seu grande sonho: Sair do reino, deixar seu lugar de princesa e viajar o mundo todo. Claro que
agora essa viagem seria feita com sua amada Fiona. Tudo parece se encaminhar bem até que um misterioso mascarado, que as observava de longe, decide entrar em cena.
Ele deliberadamente provoca Hermínia e os dois duelam. O mascarado parece querer testar as capacidades de Hermínia que se mostra
melhor espadachim e o derrota. O rapaz então se desculpa e diz saber que a moça mascarada
é a princesa de Paros. Com muito tato ele diz que sabe como libertar Hermínia da situação na qual se encontra,
ela deve propor a seu pai que se faça um grande torneio, e que ela se casaria com o vencedor caso este, depois de vencer todos os oponentes,
a derrotasse. Se Hermínia fosse vencedora, ela poderia escolher seu destino. Hermínia de pronto se põe a sonhar com a possibilidade de poder ficar
para sempre com Fiona, levando sua vida como bem desejar. Afinal, sendo ela tão boa espadachim não teria porque temer nenhum oponente.
De volta ao palácio, quase ao amanhecer, Fiona e Hermínia trocam juras de amor e se beijam debaixo da janela, sob o olhar
ciumento de Yurius que mal consegue conter seu ciúme e a frustração. Fiona ao perceber que as duas são observadas, foge envergonhada.
Quando Hermínia entra em seu quarto, Yurius não se contém e declara seu amor, ao mesmo tempo que tenta estreitá-la em seus braços.
Hermínia o rejeita, deixando claro que ama Fiona e que entre ela e Yurius só pode haver uma grande amizade. Yurius parece se dar por vencido ...
Os acontecimentos parecem precipitar-se no dia seguinte: um grupo de quatro homens armados sequestra Fiona com o claro objetivo de fazê-la desaparecer.
Levada até um lugar ermo a moça é espancada, violentada e deixada à beira de um rio para morrer. Esses homens provavelmente foram enviados pelo príncipe do reino vizinho
ao de Hermínia, que não é outra pessoa senão o homem mascarado do baile de carnaval. Enquanto isso os preparativos para o torneio se aceleram e
Hermínia sofre por não ter notícias de Fiona. Para piorar as coisas o conselheiro Afonso ronda a princesa sempre recordando-a dos seus "deveres".
Na noite anterior ao torneio, tropas do reino inimigo de Kauros, se introduzem sorrateiramente
no país de Hermínia. No dia seguinte, começa o torneio. Yurius, que não se deu por vencido, se destaca entre os participantes,
derrotando um por um e gerando certa ansiedade em Hermínia.
Depois de longos duelos, Yurius tem que enfrentar um adversário mascarado e completamente vestido
de negro. O cavaleiro negro se mostra um excelente adversário, e a luta é duríssima
até que, usando de visível má fé, ele fere Yurius exatamente
no olho direito. O ferimento é grave e Yurius, cego de um olho, tem que se retirar do torneio.
Hermínia quase pula na arena para defender o amigo, pronta para enfrentar o cavaleiro
negro mas os guardas a seguram. O cavaleiro negro derrota os outros
participantes e Hermínia finalmente tem a chance de enfrentá-lo. A moça entretanto
não consegue dobrar o adversário e é desarmada. Nesse momento, o conselheiro Afonso
joga para ela a lendária "Espada de Paros"
(o nome tinha que sair de algum lugar...), só que quando Hermínia desembainha a espada seu pai cai fulminado.
Chocada e confusa, Hermínia acaba sendo envolvida pelos acontecimentos. O cavaleiro negro se revela como o príncipe de Kauros,
Afonso acusa a moça de ter atraído a desgraça sobre o reino por
comportar-se como um homem quando na verdade era uma mulher. De acordo com
ele uma mulher jamais poderia empunhar a "Espada de Paros" impunemente e ao
fazê-lo Hermínia tinha provocado a morte do próprio pai.
Logo em seguida, soldados de Kauros aparecem por todos os lados, dominam os guardas,
matam aqueles que resistem, aterrorizam o povo. Vendo a situação,
Hermínia cai em si e percebe que tudo não passou
de uma traição de Afonso e que seu pai foi envenenado, mas antes que possa fazer
alguma coisa o príncipe de Kauros lhe dá um soco no estômago e ela desmaia.
Ao acordar, Hermínia está em seu quarto e na sua frente o cruel príncipe de Kauros que
lhe comunica que ela irá se casar com ele. Aproveitando-se da aparente impotência de
Hermínia ele rasga sua roupa como se para "mostrar"
que ela era somente uma mulher, devendo se submeter a ele. Não satisfeito com a afronta, ele
tenta violentá-la. Hermínia não se deixa dominar e
luta com ele. O rapaz parece levar a melhor mas ela lhe dá uma mordida no lábio fazendo o sangue jorrar.
Contrariado ele a esbofeteia e diz que
tão logo os dois se casassem ela lhe pertenceria para sempre. Era uma questão de tempo para que ele tivesse sua vingança.
Distante dali, Fiona, que havia sido salva e cuidada por uma família de camponeses, ouve que
a capital do reino foi invadida, o rei envenenado e sua amada Hermínia está presa.
Desesperada, ela corta os seus longos cabelos, se veste com roupas masculinas e
vai para a capital.
Chegando lá, procura por Yurius que não tinha se recuperado ainda dos ferimentos.
O rapaz, ao saber em que pé andam as coisas decide, mesmo sob o risco de ficar
completamente cego,
juntar leais seguidores para libertar Hermínia e tentar expulsar os inimigos. Usando de um
ardil, Fiona se introduz no palácio vestida de pajem e tem acesso a princesa. Depois do
reencontro emocionado, as duas combinam a fuga: Hermínia fugiria vestida de guarda com roupas
fornecidas por Fiona,
já a camponesa trocaria de lugar com a princesa usando uma peruca loura como disfarce.
Livre, Hermínia se junta a resistência e reencontra Yurius, renovando os votos
de amizade. O rapaz lhe passa a Espada de Paros
(por favor, não me perguntem como eles a conseguiram) e ela
a desembainha, sendo cercada por uma aura brilhante. Isso por si só confirmou que Hermínia
era a verdadeira herdeira, com direitos sobre a espada, e todos se animam a segui-la.
Naquela mesma noite,
Yurius se declara novamente mesmo sabendo ser em vão e conta para Hermínia tudo o que
havia ocorrido com Fiona. Hermínia fica mortificada e cheia de ódio. Disposta a
resgatar Fiona, Hermínia e seus homens partem logo ao amanhecer. É preciso impedir
o casamento. Trava-se uma luta e Hermínia resgata Fiona. Como eram muitos os soldados de
Kauros, Yurius manda que as duas fujam e fica para tentar contê-los.
Paros no Ken termina assim, Yurius lutando por amor a Hermínia e ao seu
país natal, Hermínia e Fiona cavalgando juntas rumo ao
horizonte. Não é um final convencional, não somente pelo fato das duas terminarem
juntas, mas por não se deixar claro se Paros foi libertado, se Yurius morreu
(Eu acho que sim, vejam só a imagem), se Fiona e
Hermínia ficaram realmente juntas.
Como Paros no Ken foi baseado em um volume de uma saga muito maior, seria necessário
ter acesso aos livros, o que infelizmente não é possível. De qualquer forma, considero
um final bem interessante, inovador por ter deixado tudo em aberto, dando um
"final feliz" para Hermínia
e Fiona. Também é notável o depreendimento de Yurius que acaba mostrando que
seu amor e amizade
por Hermínia eram mais fortes do que a morte.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
VISUAL: Paros no Ken
tem um traço muito elaborado e isso se deve a mestra Yumiko Igarashi. A autora foi responsável
por clássicos de grande beleza como Candy Candy e
Lady Georgie e em Paros mostra um traço mais maduro e contido mas não menos atraente.
Além do character design apurado todos os ambientes são desenhados meticulosamente
o que
aumenta ainda mais o brilho da obra. Interessante também é a mistura de armaduras no estilo São Jorge (Lembremos que a Ásia Menor é logo ali ao lado de Paros)
para Hermínia e os seus conterrâneos e pesadas armaduras medievais para os soldados de Kauros.
A ROSA DE VERSALHES X PAROS NO KEN:
Paros no Ken se assemelha muito à Rosa de Versalhes, ou pelo menos, acabamos sendo
conduzidos a comparação. Acredito que esteticamente Oscar tenha servido
de base para Hermínia, claro que é necessário sempre lembrar sempre que ambas se enquadram
em um certo esteriótipo de heroína, aquela que é loura bela e perfeita. Já Fiona,
sendo morena, se enquadraria no esteriótipo da menina simples e sem atrativos. Se bem que
no traço de Igarashi não há nada de comum nela e sem atrativos na moça. Nem tão pouco há sequer um traço da
sedução ou perfídia, outro esteriótipo associado
às morenas e bem visível na Jeane da Rosa de Versalhes. Sendo camponesa, porém, a simplicidade
viria de sua condição social, o que a aproxima indubitavelmente de Rosalie. Já Yurius,
sempre fiel, apaixonado
e pronto a morrer por Hermínia nos força a analogia com André, a semelhança entre os dois fica ainda
mais evidente
depois que Yurius também fica cego graças igualmente a um cavaleiro negro. Obviamente,
são obras de uma mesma geração mas tendo vindo depois da Rosa, e dado o sucesso da obra
de Ryoko Ikeda, não seria absurdo
que Kaoru Kurimoto tenha prestado uma homenagem ou mesmo se deixado influenciar. Ou seria coisa de Igarashi ...
Quem sabe?
Independente do que tenha havido, Paros no Ken parece oferecer em certos momentos
uma versão alternativa do triângulo Oscar-Rosalie-André,
pois na obra de Ikeda Rosalie teve que sublimar sua paixão por Oscar, e a heroína
acaba se "ficando" com André. Entre Paros e a Rosa temos 14 anos, e talvez
uma nova visão da questão. Interessante é que em Utena que é de
dez anos depois as protagonistas também terminam separadas no mangá, sendo que a sexualidade de ambas assume
características dúbias.
PAROS NO KEN E
OUTRAS SÉRIES: Outra questão que não posso esquecer é a semelhança entre Paros
no Ken e Legend of Basara quanto a questão da espada. Tanto a protagonista de Basara quanto
Hermínia são
acusadas de contaminarem uma espada sagrada por serem mulheres, sendo assim,
seus corpos femininos as
tornariam naturalmente inaptas a empunhar a arma que na verdade,
por direito, lhes pertencia. Em ambos os casos, o andar dos acontecimentos põe por terra esse preconceito.
Essa
idéia de associar o uso da espada ao exercício da masculinidade,
que talvez tenha respaldo na cultura samurai, é também retomada em
Utena quando,
já no final do seriado, Akio diz à heroína que mulheres não combinam com espadas e
que ela deveria pôr um vestido e deixar-se proteger. É muito interessante que
dentro do gênero shoujo convivam tanto a recitação
de representações sociais de mulher (deve ser frágil, deixar-se proteger, submeter-se
ao poder masculino, ser sexualmente dócil, etc) com a contestação dos papéis tradicionais e
a afirmação de que
o corpo feminino não seria uma prisão nem tão pouco um fator de inferioridade.
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:
Mesmo com toda a seriedade de Paros no Ken, Igarashi faz
uma homenagem a suas personagens mais famosas inserindo-as dentro do mangá.
As aparições de Candy e seus amigos, Georgie e outras personagens se
dá pouco antes da seqüência do torneio, de forma rápida e conectada aos
acontecimentos. Georgie, por exemplo, diz ter um mal pressentimento a
respeito do duelo. Tal cuidado deu sentido as participações que acabaram abrilhantando
ainda mais o mangá.
CONCLUINDO
Paros no Ken é uma obra divertida e interessante se nos despirmos de alguns
preconceitos. Antes de tudo é uma obra de fantasia pseudo-medieval e aventura e teria
tudo para agradar os fãs do gênero que não acham que a presença de elfos e outros seres
mágicos seja fundamental para uma boa história. Paros é também
uma grande demonstração do estilo shoujo, trazendo a grife de uma de suas maiores desenhistas.
Além disso, Paros no Ken é uma história de amor, intensa e sincera, onde em nenhum
momento se mente sobre o sexo biológico das personagens ou sua orientação sexual.
E por fim é,
assim como
Utena, um elogio a liberdade de escolha, liberdade de se
poder ser você mesmo. É esse o direito que Hermínia deseja ter, e pelo qual lutará até
o fim. Interessante
é que 10 anos depois tal questão, que deve ter muito eco dentro de uma sociedade tão
rígida quanto aos papéis sociais quanto a japonesa, ainda
continua na ordem do dia, pois Shoujo Kakumei Utena
vai retomar a mesma questão e de
novo sob a perspectiva de uma mulher que deseja somente ter o direito de escolher
como irá construir-se como indivíduo e quais papéis sociais deseja para si.
É isso! Meus agradecimentos vão para Emy da página italiana Shoujo Manga Outline, pois foi graças a sua
resenha de Paros no Ken que tomei contato com o mangá, sua história, e desejei comprá-lo. Não me arrependo e desejo
poder aprender japonês um dia para ler a história integralmente.
***Parece que a sorte sorriu para mim e, por acaso, o Shoujo Magic decidiu lançar Paros no Ken. ^_^ Achei a iniciativa muito boa,
já que o Lililicious, que seria o grupo mais indicado, parece ter perdido o pic. No momento em que eu estou escrevendo já temos 4 capítulos
disponíveis. Se você ficou curios@, não deixe o tempo passar! Paros no Ken com certeza merece uma olhada!***
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