Gals! - como a série é mais conhecida - começou a ser publicada em fevereiro de 1999 na revista Ribon,
tendo como autora Fuji Mihona, e teve ao todo 10 volumes. Já o anime
estreiou no Japão em abril de 2001 e terminou de ser exibido em março de 2002.
A série mostra as aventuras de um grupo de três meninas, lideradas por Kotobuki Ran, que têm como
maior objetivo na vida estarem sempre na moda, tudo para poderem ser legítimas Gals.
A moda das
Gals estava no auge quando o mangá começou a ser lançado. Mas quem são as Gals? Bem, as Gals são
meninas e moças que andam sempre na última moda, descolorem os cabelos, fazem bronzeamento
artificial, usam saltos plataforma e unhas
super chamativas. As Gals podem ser de diversos tipos, dependendo da sua idade
- por exemplo as Kogals
são colegiais - ou da cor do cabelo e grau de bronzeamento da pele - Ganguros, Gonguros, Yamadas, etc - pois
alguns tipos de Gals buscam se tornar legítimas
black American (negras americanas).
No entanto, nem todas as meninas são capazes de bancar o estilo de vida de uma Gal. Por exemplo, Ran e suas amigas
não podem. É aí que surge um dos ganchos interessantes da história
Gals! aborda de maneira franca um dos grandes problemas do Japão atual: a prostituição de
adolescentes.
Prostituição esta que tem como único objetivo conseguir dinheiro para coisas fúteis,
como fazer uma sessão
de bronzeamento ou comprar a bolsa da moda. A idéia da Gal como
prostituta é muito forte, por exemplo, em um mangá que está sendo
publicado no Brasil, Peach Girl.
No caso de Gals, a autora
se coloca francamente contra esta atitude e
através da protagonista, a esquentada e anárquica Ran,
uma legítima Gal que entretanto não está disposta a vender seu corpo,
discute a questão. Na história a protagonista "salva" uma colega de escola,
Hoshino Aya, que estava
em vias de passar de acompanhante a prostituta, se bem que a linha que separa
as duas coisas é bem tênue...
O que pode parecer no ocidente um tema chocante para uma revista com
público alvo entre 9 e 13 anos, parece fazer parte do dia-a-dia no Japão. Se você assistiu
Karekano deve lembrar, por exemplo,
da cena na qual Tsubasa Chibahime, que tem quinze anos mas poderia passar por doze, é abordada por um homem de meia idade na rua que lhe faz
uma proposta indecente, já entendeu a situação. O que se faz, pelo menos no início do mangá e do
anime é uma campanha de conscientização a respeito da prostituição de adolescentes entre meninas que mais tarde, aos 14, 15, 16
anos poderão se deixar arrastar para esse tipo de ocupação. Outros temas "pesados" abordados pelo mangá
são a violência de gangues - Miyu a doce amiga e quase cunhada de Ran era chefe de uma - e o assédio sexual dentro da escola. Vale lembrar que a questão é abordada
sem senso crítico em mangás/animes como Azumanga Daioh que transforma em piada - de muito mal gosto, por sinal -
a tara de um professor por meninas de uniforme.
Não pense, no entanto, que Gals! é um anime sério ou barra pesada. O tom
humorístico predomina em
praticamente todos os episódios, sendo uma série muito alto astral e de
ação frenética.
Além disso a amizade é outro dos eixos da história, pois independente dos problemas e
das diferenças de personalidade, Ran, Aya e Miyu se mantém unidas até o fim.
As três protagonizam a história e mesmo que Ran seja a personagem de destaque, a personalidade das
outras é muito bem desenvolvida. Ran, aliás, tem uma das famílias mais alopradas do mundo dos animes e mangás.
lá todos são policiais e querem a todo o custo que a menina avessa a qualquer vestígio de ordem ou disciplina siga, nem
que seja à força, a tradição da família. Outro ponto alto da série
é a trilha sonora e a abertura ao bem legalzinha. Sem dúvida nenhuma,
Gals seria um grande sucesso
se exibido na tv brasileira. Isso sem falar do mangá que poderia fazer um belo par com Peach Girl em nossas bancas.
Considero o anime Super Gals! Kotobuki Ran um dos animes mais criativos que já assisti. Infelizmente, só
pude assistir 10 episódios até agora, isso porque abandonaram a legendagem da série, já que ela foi
licenciada nos EUA. O chato é que apesar de licenciada há mais de um ano somente agora ela começou a ser lançada por lá, mas, como
nada é impossível, torço para um dia poder terminar de assistir a série.
Agora, uma coisa deve ser dita: a legendagem dessa série deve ser extremamente difícil
pois é grande a quantidade de gírias usadas pelas personagens o tempo inteiro, o que complica a adaptação para
qualquer outra língua. Antes que eu me esqueça, os direitos do mangá de Gals também foram comprados nos EUA pela DC Comics.
Parece que a tradicional editora de super-heróis descobriu que mangá de verdade (não as cópias sem vergonhas que a gente vê por aí)
podem ajudar a encher os cofrinhos, principalmente quando se vem perdendo mercado nos últimos anos. Outros shoujo que a DC está para lançar
é Eroica
que tem resenha na nossa seção de clássicos. No Brasil, Gals está sendo traduzido pelo grupo
Shoujo Club que disponibilizou o volume #1, já em inglês é possível encontrar vários volumes traduzidos pelos fãs.