Maria-sama ga Miteru


A Lilian Shogakuen (Academia do Lírio) é uma escola católica de elite só para moças. É nesse ambiente silencioso e disciplinado, onde uma grande imagem da Virgem recebe as estudantes, que se desenrola a história de Maria-sama Ga Miteru. Logo no início somos apresentadas Yumi e Sachiko à protagonista, Yumi Fukuzawa, que acabou de passar nos exames de admissão do colegial. Yumi é a nossa típica garota normal. Quando Yumi está passando ela estátua da Virgem, uma aluna do segundo ano, Sachiko Ogasawara, vem a seu encontro e ajeita o laço da gola do seu uniforme, dizendo que ele deve estar corretamente atado, pois "Maria-sama nos observa" (Maria-sama Ga Miteru). Yumi fica perplexa, porque Sachiko é uma das alunas mais admiradas da escola e nunca poderia imaginar que ela pudesse lhe dirigir a palavra. Sachiko é outra personagem fundamental e cheia de segredos. A moça, além de ser das mais ricas alunas da escola, ocupa um lugar privilegiado, pois faz parte do Yamayurikai.

O Yamayurikai é o conselho de estudantes, correspondente ao Seitokai da maioria dos animes e mangás. O Conselho é presidido pelas três alunas do terceiro ano: Youko Mizuno, a Rosa Chinensis (Vermelha); Sei Satou, a Rosa Gigantea (Branca); e Eriko Torii, a Rosa Foetida (Amarela). De acordo com a tradição da escola, toda aluna veterana deve escolher uma menos graduada como sua soeur (irmã), e essa regra também vale para o Yamayurikai. Assim, cada uma das rosas têm a sua soeur en bouton (rosa em botão). Sachiko é Rosa Chinensis en Bouton, e Rei Hasekura é Rosa Gigantea en Bouton, cada uma delas deve escolher a sua petite soeur. O problema é que Rosa Gigantea subverteu a ordem tradicional e escolheu como sua Rose en Bouton uma menina do primeiro ano... Shimako, a bishoujo da série, rejeitou o pedido de Sachiko e se tornou Rosa Gigantea en Bouton. Rei não teve nenhum problema em escolher uma petite soeur, pois Yoshino, sua prima, ansiava por isso. Rei e Yoshino mantém um relacionamento bem 3 rosas interessante, pois Rei, que tem pose de otokoyaku, é, na verdade, delicada e feminina, enquanto a fisicamente frágil Yoshino é valente, destemida e, sim, muito ciumenta! Assim, só Sachiko está só e enquanto não conseguir uma pupila não tem direito de voto dentro do Yamayurikai.

É assim que o caminho de Yumi se cruza com o da moça. Por causa de algumas coincidências, Sachiko passa a acreditar que Yumi pode resolver seu problema, aceitando ser a sua petite soeur. Só que a menina, que é adora (*akogare*) de Sachiko, se sente absolutamente aterrorizada pela idéia, além de acreditar que Sachiko não tem nenhum apreço por ela, e rejeita o seu rosário que é o símbolo do elo de entre as alunas. Como Sachiko não queria participar de uma peça de teatro onde teria que contracenar com um rapaz em especial, Suguru Kashiwagi, seu noivo imposto pela família. Não vou entrar em detalhes, mas Sachiko tem fobia de homens, porque em sua família, tradicional, conservadora, eles mandam, impõem e traem suas mulheres. Sachiko não quer ser mais uma delas, mas não sabe como escapar. Para piorar, seu noivo é desprezível... E não sei se as séries animadas vão explicar porquê.

Para resolver o impasse, Rosa Chinensis propõe um desafio: se ela conseguir fazer com que Yumi aceite o seu rosário, a menina assumiria o papel de Cinderela e Sachiko estaria livre tanto da peça quanto da vergonha de não ter uma petite soeur. Não vou contar como a coisa se desenrola, mas é claro que Sachiko vence a aposta.

Maria-sama é uma série sensível e que se centra nas relações entre mulheres: solidariedade, amizade, admiração e, mesmo, amor estão presentes na história. Quando soube que a série estava para estrear muito se falava que a história seria recheada de situações yuri, mas o máximo que já apareceu foi um leve shoujo-ai. Maria-sama é uma série centrada nas personagens femininas e que retoma a aura dos romances de Yoshiya Nobuko, isto é, a Lilian Gakuen é o paraíso das donzelas, onde elas não são ameaçadas pela violência do mundo exterior, dominado pelos homens. Assim: Yamayurikai

"No mundo de Maria-sama ga Miteru, mulheres não brigam entre si por causa de um homem. Kashiwagi, o "príncipe", que é talentoso em todas as coisas, é posto para fora do reino pelas garotas logo no primeiro volume. As mulheres criam um relacionamento positivo entre elas sem nenhum tipo de ciúme ou competição. Este é exatamente a temática interessante trazida por Maria-sama ga Miteru." (Ver: Shoujo Café)

Maria-sama é uma série que pode ser assistida sem receio por qualquer fã de anime que não se importe com uma história que vai se abrindo lenta e delicadamente como um botão de rosa. Ao assistir o primeiro episódio, por exemplo, tive a sensação de que seria uma série morna, sem a força de Oniisama E, mas depois percebi que o ritmo era somente diferente e que apesar de não ter a densidade da obra de Riyoko Ikeda, não estava perdendo meu tempo. Maria-sama Ga Miteru é especial e não fui somente eu a notar, por isso, temos mangá na Margaret, os romances originais e três séries animadas, mais os montes de fanzines de todos os tipos.

As personagens de Maria-sama são bem interessantes, em especial Rosa Gigantea que inicialmente me pareceu antipática - e com um cabelo pouco apropriado e nada parecido com o do mangá - mas vai ganhando cores novas conforme a trama se desenvolve, talvez ela seja a mais madura e sensata de todas as personagens da série. Fica a cargo dela o momento yuri no seu romance em flashback com uma aluna de nome Shiori. Até o momento, a personagem menos explorada foi Rosa Foetida, o episódio centrado nela na segunda série, Maria-sama ga miteru Haru, foi dos mais fracos. Rosa Chinensis também é uma presença marcante, mesmo que não apareça muito, madura, sensível e inteligente, ela é uma das poucas pessoas que consegue ver Sachiko como ela é. Está última, aliás, é Algumas capas a típica personagem cool, lembrando tanto na elegância, quanto na personalidade, a atormentada Juri de Utena. Na Wikipedia, é dito que ela talvez seja apaixonada por Rosa Gigantea, mas isso não se confirmou. Outra personagem marcante, mesmo que só tenha feito uma participação especial, é Rosa Canina, a moça que queria o lugar de Shimako e é a melhor cantora da escola.

Na segunda série, Maria-sama ga Miteru Haru, somos apresentadas a outras personagens. Yumi precisa de uma petite soeur quando Sachiko se torna Rosa Chinensis. Assim, aparece na história Touko Matsudaira, parente distante de Sachiko e prima de seu noivo. Touko tenta abalar a amizade de Yumi e Sachiko, mas, no final, tudo se resolve e ela se torna petite soeur e entra no Yamayurikai. Shimako também precisa escolher a sua soeur en bouton e parte de sua vida familiar é mostrada na segunda temporada. Ela escolhe Noriko Nijou, uma menina fascinada por arte budista e pela religião em geral. Ela entrou em uma escola Católica por engano. Temos também o irmão de Yumi que aparece um pouco mais e, sem que ele mesmo saiba, é incluído nos planos amorosos sinistros do noivo de Sachiko.

Maria-sama é baseada em uma série de romances escritos por Konno Oyuki e publicados pela editora Cobalt. Absoluto sucesso entre as garotas japonesas ele deixou as páginas dos livros e virou anime, mangá e CD Drama. Até o momento, foram publicados 26 romances no Japão desde o ano de 1998. Capa de um dos mangás Mais detalhados que a série animada e mesmo o mangá, os romances têm acompanhado com riqueza de detalhes a vida das personagens da série. Em especial Yumi, nos seus três anos na Lilian Shogakuen. Há traduções dos romances na Internet e outros que somente dão resumos da história e fazem comparações com o anime e o mangá. Dentre eles, recomendo o Okazaku que é muito bem escrito. Só que, como boa parte do material na Internet, está em inglês.

Na esteira do sucesso dos romances e do mangá, em 2004 estreou a primeira temporada animada. A previsão inicial era de que fossem feitas duas temporadas de 13 episódios. Assim, a primeira temporada, contou o primeiro ano de Yumi na Lilian Shogakuen e o segundo ano, chamado de Maria-sama ga Miteru Haru o segundo. Com tanto sucesso, os fãs ficaram na esperança de que mais uma temporada fosse feita, para acompanhar o terceiro ano das meninas. Boatos nunca faltaram, mas o anúncio oficial veio em novembro de 2005: teremos um série de OAVs acompanhando o resto dos romances, ou pelo menos parte deles. A série de OAVs já estreou e terá 5 episódios de quase uma hora. Dois deles já estão disponíveis com legendas em inglês e os demais serão lançados ao longo de 2007.

Além dos episódios regulares os DVDs de Maria-sama vêm com episódios curtos e cômicos de cerca de dois minutos. Esta série, com as personagens em SD, um omake, é chamada de Maria-sama ni wa naisho (Não conte nada à Virgem Maria). Nessa série que são satirizados os acontecimentos sérios e dramáticos da série original, e lá as personagens normalmente soltam coisas que não falariam em situação normal, o que torna o material muito interessante. Fora esse material, há os tradicionais e populares Dramas CD. Jogos oficiais, Marimite não teve mas os fãs fizeram jogos doujinshi. Acredito que a imagem aqui na página seja do jogo Lilian Fourhand: Nuclear Sœur the Fighter, que é um game de luta com as meninas de Marimite. Sim, é sério! E não se pode esquecer que Marimite tem um imenso número de fãs do sexo masculino, daí, muitos doujinshis serem feitos por eles. O traço varia o grau de erotismo, também. E não sei se esta característica está presente nos jogos feitos por fãs.

O mangá de Maria-sama ga Miteru é publicado na tradicional revista Margaret desde 2003 e está sendo traduzido pelo pessoal do Lililicious. Até o momento, foram publicados sete volumes encadernados. O character design tem por base as ilustrações da própria Konno Oyuki, e o mangá é muito bonito. A arte do quadrinho é feita por Nagasawa Satoru e é muito bonita, mais bonita que a do anime na maioria do tempo. A única personagem que parece mais simpática no anime é Rei, Rosa Gigantea en Bouton, que, no seu físico, é muito parecida com a Haruka de Sailor Moon. Um dos games.Além da arte, o mangá se destaca por ser mais detalhista que o anime, mantendo uma maior fidelidade em relação aos romances originais. Algumas cenas e diálogos foram eliminados no anime, então, mesmo que não seja a intenção, algo das personagens se perde. Claro, isso se você não leu os romances, coisa que praticamente somente os japoneses puderam fazer. O mangá está sendo publicado na Alemanha e duvido que em breve não esteja saindo nos EUA.

Maria-sama é uma série para quem gosta de shoujo ou simplesmente de uma boa história que não precise de correria ou violência para ser interessante. é uma história feita de pequenos detalhes, questões que podem ser banais até, mas que tornam o dia-a-dia das meninas da Academia Lillian um presente para @s fãs. Ah, um detalhe interessante de Maria-sama é que ao invés das tradicionais pétalas de sakura, são folhas de ginko que vivem caindo sobre as meninas. É uma série do tipo que eu adoraria ver saindo aqui no Brasil, tanto o mangá quanto o anime são muito simpáticos e bem feitos. Só que, com a política de lançamentos que temos, acredito que esse seja um sonho distante. Afinal, como explicar para certos cérebros de ervilha que uma boa série pode não ter lutas, nem ação, nem mesmo o romance como seu eixo central, mas a amizade de um grupo de meninas?




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Webmistress: Valéria "Utena-sama" - 15/03/2004

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