Primeiro mangá shoujo de esportes, Attack Nº1 começou a ser
publicado em 1968, na revista Margaret.
Sua autora, Chikako Urano, aproveitou-se do interesse pelo voleibol entre as meninas
japonesas, em virtude da vitória da seleção feminina do país nas Olímpiadas de 1964,
para trazer o esporte
para dentro do universo do mangá feminino, criando um clássico.
Nesse sentido, a autora foi tão pioneira
quanto Ryoko Ikeda que provou mais tarde
que um mangá histórico também faria sucesso, tanto o gênero
histórico quanto o de esportes permanecem fortes até hoje. O anime
veio logo em seguida, com produção da Tóquio Movie Shinsha.
A estréia foi em 07/12/1969, teve ao todo 104 episódios, terminando em
28/11/1971.
Attack Nº 1 marcou toda uma geração ao contar as aventuras de Ayuhara Kozue,
menina rebelde, mas brilhante,
que chega transferida de outra cidade com o objetivo de curar-se de tuberculose.
Apesar da resistência dos familiares, preocupados com sua saúde,
Kozue encontra seu objetivo na vida ao se encantar com o voleibol e decide se
tornar a melhor jogadora do mundo. Isso não será fácil, pois a menina terá rivais dentro e fora da escola.
Interessante é a ênfase na amizade crescente entre as meninas, sempre com a possibilidade de inimigas tornarem-se amigas.
Tanto o mangá quanto o anime enfatizam
o rígido treinamento, bem sádico e dramático por sinal,
e os passos galgados por Kozue e suas amigas até chegarem ao objetivo máximo: as Olimpíadas. Exemplo nesse sentido é o de uma
de suas adversárias pelo comando do time que, de por causa do treinamento intenso e violento, desenvolve um caso grave de tendinite e tem que se afastar do
esporte. Inconformada e sofrendo, ela passa a trair seu próprio time até que é descoberta.
Infelizmente,
não consegui assistir ainda a nenhum episódio da série mas pela abertura e pelas poucas
seqüências que vi já dá para sentir o
tom hiperdramático da série. Como quase sempre acontece, Attack Nº1 foi exibido pelo
mundo afora, marcando
espanhóis (La panda de Julia), alemães (Mila, superstar) e outros que
puderam
se emocionar com esse clássico que fala de superação e perseverança em busca de um ideal.
É preciso ressaltar, também, que o character design das personagens não é nada "moderno", estando muito preso ainda aos
cânones dos anos 60. Outro detalhe importante é a autora não tem um traço muito fluente no início do mangá (pode ter melhorado depois),
mostrando que o sucesso da obra deve se ligar mais ao roteiro e personagens do que a arte. E não é um problema de época, pois,
mesmo estando presa ao estilo de Osamu Tezuka, Hideko Mizuno é muito competente e tem um traço fluente e bonito.
Infelizmente, as possibilidades de que esse mangá ou anime tão antigos
cheguem no Brasil, são remotíssimas e os fansubers brasileiros não se mostram tão interessados
em legendar os clássico, dessa forma, vai ser muito difícil por os olhos em um tesouro destes a não ser, talvez,
que as Technogirls se interessem pelo projeto.
Eu agradeço sinceramente
a Herói Mangá #1 (Excelente revista mas de vida muito curta)
por ter citado de relance esta série e aguçado a minha curiosidade, pois acabei
encontrando uma preciosidade e percebendo que o shoujo
de esportes tinha raízes anteriores a Ace wo Nerae. Se alguém quiser assistir a
abertura e o encerramento da série de TV pode entrar em contato comigo e farei o possível para disponibilizar o vídeo de alguma forma. O vídeo é antigo mas permite
perceber o tom dramático da série com a personagem tomando muitas boladas até conseguir se levantar, defender, atacar e
por fim vencer e sonhar com a medalha olímpica.
E só para encerrar: Attack Nº1 vai virar série live action em 2005, assim como ocorreu com Ace Wo Nerae ano passado. Aliás,
ambas as séries tem a mesma atriz como protagonista.
Além disso, há um mangá inspirado em Attack Nº1 sendo publicado na Margaret desde novembro. Que dizer? Os clássicos estão
mostrando sua força!