Candy Candy


(Candy Candy. Toei. 115 episódios. 1976.)


Série de tv baseada no famoso mangá homônimo em 9 volumes publicado, entre 1975 e 1979, na Nakayoshi de autoria de Yumiko Igarashi (desenhos) e Kyoko Mizuki (roteiro). Até hoje, existe uma disputa judicial entre as autoras, pois Yumiko Igarashi ficou com a maioria dos lucros da série (fama, produtos licenciados) e a criadora da personagem, a roteirista, busca ressarcimento. Candy Essa situação tem prejudicado o licenciamento da série e e a republicação do mangá. Candy Cany é em todo o mundo, e até hoje tem fãs ardorosos em todos os continentes, sendo ainda exibida (ilegalmente) em alguns países. Se você não acredita, até porque muita gente acha que somente o anime da moda tem vez, faça uma rápida busca na net e toneladas de sites, alguns muito bons, vão aparecer.

A série passou por aqui no início dos anos 80, na antiga TV Record. Seu horário nunca foi fixo, sendo exibido de manhã ou a tarde dependendo da vontade da emissora. A mudança constante de horário de exibição me prejudicou muitas vezes, quando passavam de manhã, eu estava na escola, se passavam às 6 da tarde minha mãe queria ver novela e só tínhamos uma tv na época. Outra questão importante é o fato de no Brasil só termos assistido poucos capítulos da série, acho que 27, tanto que até entrar na net eu nem sabia que Candy Candy era uma história tão longa e com tantas reviravoltas. Aqui nós nunca chegamos sequer a conhecer Terry, o segundo grande amor de Candy, e personagem favorito de boa parte dos fãs de Candy, ou ver a heroína se tornando enfermeira e cuidando de Albert que havia sido ferido na guerra.

***Mas e a história?*** (Com Spoilers!!!)

Candy Candy se passa no estado americano do Michigan (***Veja bem, tudo na visão bem estilizada dos japoneses) às vésperas da I Guerra Mundial. Candy White é uma menina abandonada quando bêbe na porta de um orfanato, o Lar de Pônei. Junto com ela havia outro bêbe, de nome Amy, e as duas se tornam grandes amigas. Ambas querem permanecer sempre juntas no orfanato e Candy com suas molecagens faz de tudo para não ser adotada. Quando fazem 10 anos um senhor rico se interessa por adotar Candy. A esposa do homem, no entanto, fica chocada com o comportamento de Candy, e, apesar das preferências do marido, a rejeita. Mas daí ela vê Amy, tímida e comportada. A menina acaba recebendo a proposta de adoção... Mesmo tendo sido a causa de Candy ter feito de tudo para não deixar o orfanato, a menina trai a amiga e deixa o Lar de Poney. Candy fica muito triste mas perdoa a amiga, só que a mãe adotiva de Amy, temendo comentários de seus amigos ricos, proibe que a menina escreva para Candy ou qualquer um do orfanato. Candy fica arrasada e sai chorando pela noite no meio de uma nevasca, no seu caminho aparece um belo rapaz louro, vestido com roupas escocesas que a anima e lhe dá um guizo com um brasão de família. A menina passa a chamá-lo de "O Príncipe da Colina" e decide que quer ser adotada por aquela família.

Assim, quando aparece a família Legan, cujo brasão era muito semelhante, Candy acha que seu príncipe mandou buscá-la e acaba aceitando ir com eles. Na casa da família Legan, descobre que se enganou e acaba tendo uma péssima surpresa, pois as duas crianças da casa, Elisa e Neil, a rejeitam e maltratam e como o Senhor Legan, que é bondoso com ela, quase nunca está acaba sendo transformada em criada. (***No mangá ela nunca iria ser adotada mesmo, tinha sido mandada para a casa dos Legan para ser dama de companhia de Elisa.) As armações de Elisa e as covardias de Neal (***Ele sempre tenta bater em Candy e como apanha, corre para debaixo da saia da mãe**), tornam sua vida um inferno. Candy poderia voltar para o Lar de Poney, só que prefere ficar, pois havia se apaixonando pelo menino da casa ao lado, e primo de seus inimigos (***e amor de Elisa***), Anthony. Ele é idêntico ao seu "Príncipe da Colina" e o brasão de sua família é o mesmo do guizo que a menina ganhou. Só que o rapaz diz não saber de nada da história que ela conta. Mas tanto Anthony, quanto seus primos Stear e Archie, se tornam seus amigos e, é claro, se apaixonam por ela. Os três rapazes são muito diferentes entre si: Stear, o meis velho, é inventor e muito jovial, estando sempre pronto para qualquer travessura; Archie é todo certinho, sempre arrumado, bem almofadinha e até um pouco afetado; já Anthony é gentil, sensível e cultiva um imenso jardim de rosas. Com o apoio dos amigos, Candy nunca esmorece, apesar do sofrimento, e, para sua surpresa (***E ódio de Elisa***), acaba sendo adotada pela família de seu amado, indo morar Candy e o Príncipe da Colina pertinho dele. Só esclarecendo: o patriarca da família Andrey, Tio William, nunca aparece, mas sempre sabe de tudo, e, de longe, parece ter simpatizado com Candy.

Bem, mas como a vida de Candy é um mar de lágrimas, a tragédia espreitava atrás da porta... Candy nunca é aceita pela Tia-avó Elroy que cuida dos três meninos e passa a ser responsável, também, pela sua educação. Fora isso, Anthony morre devido a uma queda do cavalo e a menina cai em depressão profunda. Para tentar se restabelecer, Candy foge para o Lar de Poney. Lá ela acredita que, mesmo nunca esquecendo Anthony, poderá prosseguir sua vida sem ele. Por ordem do Sr. Andrey, Candy vai estudar na Inglaterra. Na travessia, reencontra um velho amigo, Albert (***Esse personagem barbudo, embora não apareça muito, sempre ajuda Candy em momentos de perigo.) e conhece um rapaz chamado Terence, ou Terry para os íntimos. Filho bastardo de uma atriz amoericana e de um nobre inglês, ele também vai estudar no mesmo colégio de Candy. Por uma daquelas conhecidências que só acontecem na ficção, no Colégio São Paulo (***Todos os americanos da série são Católicos, pois esse é o único referencial de Cristianismo que os japoneses parecem ter.), Candy reencontra todos os seus amigos e inimigos: Elisa, Neil, Archie, Stear, Amy. Conhece também Patty que, apesar das intrigas de Elisa para que todos os alunos rejeitem Candy, se torna sua amiga. Apesar da resitência de Candy, que se recusa a esquecer Anthony, ela e Terry se apaixonam. Terry consegue inclusive curar o medo de cavalos que a moça tinha adquirido por causa do acidente de Anthony (***Ele caiu do cavalo e quebrou o pescoço.). Só que ambos, ele por ser bastardo, ela por ser órfã, têm sérios problemas Patty e Stear para serem aceitos em um ambiente tão conservador. Terry, aliás, nem tem muita vontade de ser aceito mesmo. Terry também desperta o ciúme de um dos amigos de Candy, Archie, que é apaixonado pela moça... Para piorar, a amiga sonsa de Candy, Amy está apaixonada por Archie e inconscientemente culpa Candy pela rejeição... No final, com ajuda de Candy, tudo se acerta e dois casais se formam: Amy e Archie, Stear e Patty. Depois de muitas armações de Elisa, Candy e Terry acabam sendo pegos juntos... para não prejudicar a moça, Terry assume toda a culpa e é expulso do colégio. Candy não suporta a situação e foge da escola.

Não é muito fácil para Candy, então com quinze anos, voltar para os Estados Unidos. Quando consegue finalmente chegar ao Lar de Pony, todos se espantam e ela fica sabendo que Terry, o motivo da sua fuga, tinha ido a sua procura e acabara de ir embora. O rapaz continua pensando que ela ainda está na Inglaterra. Triste, Candy reflete sobre sua vida e, depois do inverno, decide se tornar enfermeira. O ano é 1914, e Candy começa a estudar enfermagem, sendo depois enviada para se aperfeiçoar em Chicago. Como a guerra se aproxima, os amigos de Candy voltam para a América e eles se reencontram. Candy e Terry contiuam tentando se encontrar, mas o destino (Leia-se o trabalho de Candy no hospital, as colegas enfermeiras que não a ajudam em nada, Elisa, e, agora, Susanah, a atriz apaixonada por Terry) conspira contra eles. Para se ter uma idéia, quando a Companhia de teatro do rapaz passa por Chicago, os dois não conseguem se encontrar e só se vêem de longe, quando o trem do rapaz já tinha partido. Candy reencontra Albert desmemoriado no hospital onde trabalha e passa a cuidar dele.

Candy recebe um convite de Terry para assistir sua peça em Nova York. Lá Candy é recebida por um Terry abatido e distante. Candy não sabe o motivo, até que ouve comentários sobre o acidente de Susanna Marlowe. O detalhe sinistro é que a moça havia perdido uma perna porque salvara Terry de um acidente. Agora, mãe estava pressionando Terry para que ele pagasse a dívida e se casasse com sua filha. Susanah extremamente abalada, também pressiona Terry. E Candy acaba impedindo que a moça se suicide... Para o bem de Susanah, sabendo que a Stear, Archie, Elisa, Neal, Anthony, Candy e o Príncipe da Colina consciência de Terry nunca ficaria tranqüila se ele ficasse abandoinasse a jovem atriz, Candy abre a mão dele. Terry termina cedendo. Já Candy volta para Chicago com o coração partido...

De volta ao hospital, Candy tem Albert como companhia. Como o rapaz não podia mas ficar no hospital, Candy o leva para morar com ela em sua pensão, mentindo que ele é seu irmão. Albert que já havia recuperado sua memória, está completamente apaixonado pela jovem. Nesse interim, Neal, que havia se descoberto apaixonado por Candy, decide "conquistá-la" e descobre que ela mora com Albert. Como Candy rejeita o mala sem alça, que tenta inclusive se passar por Terry e agarrá-la a força, Neal vai até o hospital onde a moça trabalha e conta para o diretor que uma de suas enfermeiras vive em concubinato com um homem que tinha sido ex-paciente do hospital. Difamada (***Lembrem-se que estamos no início do século XX***), Candy perde o emprego e não consegue trabalho em nenhum hospital da cidade. Um pouco antes desses últimos acontecimentos, Stear, primo de Anthony, tinha ido lutar na I Guerra como aviador. Só que a tristeza acaba caindo sobre todos quando recebem a notícia da de que ele teria morrido. Patty, sua noiva, fica inconsolável e se recusa a acreditar que o rapaz morreu, já que não receberam nenhum corpo... O funeral simbólico do rapaz é um dos momentos mais tristes do final da série.

O fim da história se aproxima: Amy está noiva de Archie; Neal decide Candy tem que se casar com ele; Albert tem uma conversa série com Terry e ambos desaparecem... Depois dos funerais de Stear, a Tia-avó Elroy culpa Candy pela morte de Anthony e Stear, dizendo que ela trouxe azar para a família. pouco depois, a mesma senhora (***ela sempre detestou Candy***) exige que a menina se case com Neal e diz que são ordens do patriarca da família, Tio William. Ela se recusa e finalmente conhece patriarca dos Audrey que não é nenhum outro senão o próprio Albert, que não é nenhum outro senão o "Príncipe da Colina". O rapaz, que é irmão da mãe de Anthony, explica sua situação dizendo que era jovem demais quando se tornou chefe da família Audrey, e, por isso, manteve sua identidade escondida mesmo mesmo de alguns parentes. Agora, revelado o segredo ele abre para Candy o seu coração...

***Curiosidades***

Candy e Terry

  • Com certeza, esta série foi o shoujo mais lacrimogêneo que já passou em nosso país, a ponto de muitos brincarem dizendo se tratar de uma grande novela mexicana. Infelizmente, além de não termos assistido nem um terço dos episódios, nunca tivemos a chance de ler o mangá (***que é um pouco diferente***). Mesmo não sendo exibida por completo, a série de tv é um dos animes antigos mais amados e lembrados no Brasil.
  • O final com Candy e Terry separados foi frustrante para muitos fãs e existem vários sites que apresentam finais alternativos para o seriado. Essa questão na Itália, lugar onde Candy Candy foi um marco, foi levada tão à sério que houve uma continuação feita no país. Houve quadrinhos, desenhados por italianos, mostrando o reencontro de Terry com Candy e mesmo um "último episódio" montado com partes da série e dublado para mostrar o final feliz dos dois.
  • Candy Candy tem um character design muito bonito, sendo uma das grandes obras de Yumiko Igarashi. Como característica marcante, mantida também no anime, temos os pés das crianças e mulheres que parecem toquinhos. Um dos pontos fracos do traço da autora, superado em obras posteriores como Paros no Ken, é a dificuldade em mostrar o amadurecimento das personagens. Candy, Annie, Stear, Elisa e cia mantém-se praticamente com a mesma aparência durante todo o mangá. As meninas, principalmente, tem um ar muito infantil, o que pode ser kawaii, é verdade, mas também pode tirar impacto dramático em determinados momentos.
  • O anime e o mangá têm algumas diferenças. Como a série de tv era semanal foram inseridos vários acontecimentos para que não houvesse grande dianteira em relação ao quadrinho. Assim, alguns dos episódios mais bobinhos estão presentes somente no anime. Existem personagens que também não se encontram nas duas versões, estando ou só no anime, ou só no mangá. Quanto a aparência, a grande diferença foi na personagem Annie que no mangá é loura e no anime é morena. No OVA de 1992, a cor dos cabelos de Annie é a mesma do mangá.
  • ***Como conseguir a série***

    Espero que um dia a série ainda possa ser A solidão acompanhou Candy por toda a série reprisada em nosso país, mas sei que a possibilidade é muito remota. Como Candy Candy não passou nos EUA, e existe um interesse crescente por animes antigos entre os fãs americanos, talvez a série se torne alvo de interesse de algum fansuber de lá. Isso, aliás, não é difícil, pois o OVA de 1992 foi legendado e está disponível para download na internet. Mas existem ainda outras formas de conseguir a série dublada em italiano, francês ou espanhol, pois alguns fãs (***poucos, muito poucos***) disponibilizam episódios no Kazaa ou no Winmx, fora isso, muitos fãs vendem a série no E-Bay por preços realmente absurdos.

    O mangá, assim como a série de tv não pode ser licenciado, mas existem pelo menos dois sites (*** onde você tem que abrir imagem por imagem***) que disponibilizam mangascans em francês e em inglês. Aviso logo que a tradução não é cuidadosa e muitas falas foram deixadas em japonês mesmo. A versão em inglês é a mesma que andou circulando no Mirc.

    Espero que assim como Ace Wo Nerae, A Rosa de Versalhes e Oniisama E, eu ainda possa assistir e ler Candy Candy por completo. Esta é uma série obrigatória e merecia ter tido melhor tratamento em nosso país. É um sonho, mas como sempre, os sonhos de hoje podem se tornar realidades amanhã!


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    Valéria "Utena-sama" - 13/04/2003


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