Tohru Honda é uma órfã de 16 anos. Seu pai morreu quando ela ainda era pequena e durante muito tempo a menina morou
com a mãe, uma ex-delinqüente juvenil que tinha como grande desejo que sua filha pudesse cursar o colegial, já que
ela mesma
só terminou o ginásio. Só que depois que a mãe de Tohru
morre em um acidente de carro, a menina prefere morar sozinha
em uma cabana no meio da floresta a ter que ir morar com parentes de seu pai que desprezavam sua mãe e a viam como um peso a mais.
Um dia, indo para a escola,
Tohru passa por uma mansão e termina parando para conversar com o dono da casa, Shigure. Ela acaba
descobrindo que estava morando na propriedade
deles, e que seu colega de escola, Yuki, por quem a menina é fascinada, era primo de Shigure e morava
ali também.
Os rapazes descobrem que
Tohru mora em uma tenda e ficam consternados. Por azar (ou sorte), a tenda é soterrada por um deslizamento de terra. Os
rapazes então, com muito tato e gentileza, acabam convidando Tohru para morar na
casa com eles, e fazer alguns trabalhos domésticos em troca da hospedagem para que ela não se
sinta constrangida demais. Ah, Yuki, sempre atencioso, ainda resgata a foto da mãe de Tohru, que é o grande
tesouro da menina, e ficara debaixo dos escombros.
O que Tohru não sabia, é que a família dos rapazes, os Sohma, é amaldiçoada. Alguns de seus membros se transformam em
animais do horóscopo
chinês (cachorro, rato, porco, dragão, serpente, galo, porco, vaca, macaco, tigre, cavalo, coelho) quando são abraçados por
pessoas
do sexo oposto. E como Tohru descobre a maldição? Bem, um primo de Yuki e Shigure, Kyo aparece na casa
dos Sohma. Ele e Yuki se odeiam, porque um é um
gato e o outro um rato. E, de acordo com a lenda, o gato ficou fora do Zodíaco porque o gato o enganou e ele ficou de fpra da festa no céu. Isso me lembrou a
história do sapo orgulhoso que queria
ir à uma festa vip no céu e se ferrou no final... minha professora da 4ª série nos castigava fazendo cópias deste texto... Yuki e alguns dos membros da família Sohma desprezam Kyo, pois o rapaz guarda um segredo terrível. Tohru tenta apartar uma briga e acaba abraçando um a um dos três rapazes... O susto é tão grande que Tohru
desmaia!
O fato é que Kyo, assim como Tohru, fica morando na mansão. Mais tarde, outros membros da
família Sohma aparecem para visitar, e Tohru ouve falar do cruel (*cujo segredo rendeu um rebuliço nas listas de discussão e fóruns*)
chefe da família Sohma, Akito.
Fruits Basket é uma história simpática, leve, engraçada e,ao mesmo tempo, dramática e capaz de discutir questões bem sérias com sensibilidade. Mesmo nos seus momentos de drama, nunca se torna pesada a ponto
de deprimir ninguém, a mensagem é sempre positiva. Obviamente, uma lágrima ou outra fazem parte do processo.
Tohru é a menina de bom coração que cativa a todos, sempre esforçada e determinada a fazer o seu melhor. Assim,
pouco a pouco, ela vai ajudando todos que tem contato com ela, mesmo que a própria protagonista e as outras pessoas nem sempre percebam isso.
As demais personagens,
como as duas amigas que
estudam com Tohru, Arisa Uotani (*que se veste como membro de gangue adolescente*) e Saki Hanajima (*que pode ler auras e tem
poderes psiquicos*)
oferecem um suporte importante para a protagonista, assim como o mistério dos Sohma prende a atenção da audiência.
O anime de Fruits Basket teve 26 episódios e foi exibido no ano de 2001. Infelizmente, só teve uma temporada e não cobriu nem
metade do mangá.
Já o quadrinho, de autoria de Natsuki Takaya, começou em 1999, sendo publicado na revista
Hana To Yume. A série foi encerrada em novembro de 2006 contando com 136 capítulos e 23 volumes encadernados, sempre com altíssimas vendagens. É possível que uma ou outra história extra ainda possa aparecer, já que nem tudo ficou fechado. Aliás, como é muito normal entre os quadrinhos japoneses.
Um dos pontos mais interessantes do mangá é acompanhar o amadurecimento
do traço da autora que começa um tanto duro e vai ganhando leveza, e se tornando cada vez mais bonito conforme acompanha o
crescimento das personagens.
Fruits Basket hoje é um dos grandes sucessos do shoujo mangá mundial, e está sempre entre os mais vendidos, seja no Japão,
onde ganhou o 25º Kodansha Manga Award como melhor mangá shoujo de 2001, seja nos EUA onde foi o segundo mangá mais
vendido de 2004. Além destes dois países
e de alguns outros no Oriente, ainda é publicado na França, na Espanha e na Itália sempre com muito sucesso.
Desde o ano de 2004, muitos fãs brasileiros estavam em campanha
para que Fruits Basket saísse também
em nosso país, mas a insensibilidade e falta de visão das nossas editoras pareciam obstáculos grandes demais para que Tohru
e a família Sohma
se tornassem conhecidas dos brasileiros.
Só que, para a nossa alegria e surpresa, a JBC nos ouviu e o primeiro
volume dos mangás chegou às bancas em 15 de abril de 2005
e como a notícia se espalhou no dia 1º,
muita gente achou que se tratava de um trote. Um detalhe aqui é muito importante: Fruits Basket foi o primeiro mangá
com distribuição
não-setorizada da editora, ou seja todos os fãs poderão ler o mangá ao mesmo tempo. A JBC confiou no potencial
do mangá e nós, fãs, não podemos nos desmobilizar. É necessário tornar Fruits Basket um sucesso de vendas, por isso,
apresente o mangá
para um amigo ou amiga, um primo ou prima, um sobrinho, enfim, para qualquer pessoa que seja sensível o bastante para
apreciar esse tipo de história. Com a suspensão por alguns meses da publicação no Brasil, muita gente ficou preocupada com cancelamento. Não houve nada disso, aliás, apesar das desculpas da editora, eu acredito que eles interromperam para não alcançar a edição japonesa.
Como nem tudo na vida são flores, o tratamento do mangá precisa melhorar muito. A
fluência do texto está complicada, com frases fora do lugar, erros de concordância e a indecisão entre usar pronomes de tratamento
em português ou japonês. Fora isso, houve censura na edição #4, onde uma piada de caráter homossexual foi deliberadamente mudada.
Homofobia é uma droga e nem era algo que pudesse implicar em perda da "censura livre". Como a gente não quer que esse tipo
de desrespeito continue, melhor escrever para a editora. Afinal, nós queremos Fruits Basket e qualquer mangá publicados com respeito ao
material a aos consumidores.
Como o mangá está saindo no Brasil, a não ser que seja para saber de spoilers, esqueça as scanlations. Sei que a censura pode
ser um tiro no pé, mas não é por isso que o pessoal precisa abandonar a edição da JBC. Já o
anime, que é mais do que obrigatório, pode ser encontrado para download até
legendado em português, é só procurar. Seria interessante, entretanto, agora que o mangá está garantido, começarmos uma
campanha para que o anime saia em DVD no Brasil. Acha impossível? O mangá também era.
Como recomendação de site brasileiro sobre a série deixo o Furuba Brasil e para quem
gosta
de listas de discussão é possível conhecer muitos fãs de Fruits Basket nesta lista.
Ah, já
ia esquecendo! O título Fruits Basket vem de uma brincadeira (japonesa) de criança onde cada um deve ser uma fruta... por
maldade (ela era órfã de pai, tinha uma mãe e família pouco convencional), os coleguinhas de
Tohru sempre diziam que ela era um "bolo de arroz". Mas Tohru não se importa em ser um bolo de arroz no cesto de frutas dos
Sohma, pois tornou a vida de todos bem mais feliz e agradável com sua presença.