Tamahome e Miaka

Fushigi Yuugi é o shoujo mangá mais antigo em publicação no Brasil e é uma história recheada de tragédias e aventuras que aguardam a heroína a cada página que viramos, tudo temperado com um pouquinho de humor e muito romance, claro. Sua trajetória começou quando a editora Animangáfez uma pesquisa na revista Ranma 1/2 perguntando qual o mangá que @s leitor@s queriam ver publicado por aqui. Para surpresa de muitos, não deu Rurouni Kenshin, deu Fushigi Yuugi. Mas o que teria essa série de tão atraente?

Fushigi Yuugi é uma série como tantas outras no Japão, uma história de amor, amizade e superação, protagonizada por uma garota normal com os problemas que toda japonesa de sua idade poderia ter... talvez uma pouco mais... e que vai parar em um mundo mágico como uma forma de fuga. Essa menina é Miaka Yuuki. Ela está prestes a fazer a prova de admissão no colegial e vive aquilo que os japoneses chamam de "inferno dos exames"; sua mãe é divorciada e superexigente, pois precisa provar que conseguiu sozinha criar bem os dois filhos. Por isso mesmo, ela deseja que Miaka passe para uma escola de elite e pressiona a menina, fazendo com que ela encare cursinho depois da escola (juku) e longas joranadas de estudo. Miaka sabe que suas chances são poucas, talvez nenhuma. Miaka, Yui e o livro Mas como enfrentar a mãe? Quem já teve 15 anos e uma mãe superexigente sabe como é difícil. Miaka tem uma amiga de infância, Yui, que é a melhor aluna da turma. Perto dela, Miaka é feliz, mas Yui não perde uma chance de mostrar o quanto é melhor que ela. Talvez seja uma forma de compensar o fato de todos gostarem de Miaka. Ah, Miaka também tem outro problema: ela gosta de comer, comer muito. Em tempo de beleza anoréxica, isso é quase um crime.

Tudo parecia ir bem para Miaka até que ela e Yui decidem ler um misterioso livro na biblioteca pública. O título do livro é Shi Jin Ten Shi Sho ou "O Universo dos Quatro Deuses" em português, fazendo referência aos quatro deuses chineses Suzako (Fênix), Seryuu (Dragão), Byakko (Tigre) e Genbu (Tartaruga). Mal começam a ler o livro, e as meninas são atiradas em um outro mundo, um lugar que parece misto de terra da fantasia e China Antiga. Ao entrarem no livro, as meninas passam a fazer parte da história que estavam lendo. Lá são salvas de traficantes de escravos por Tamahome, um rapaz belíssimo e com um estranho símbolo na testa. Ambas se apaixonam por ele, mas Yui desaparece e Miaka se vê sozinha na China Antiga. Depois de alguns percalços, ela conhece o Imperador daquele reino, Hotohori e é identificada como a virgem da profecia, aquela que deveria convocar o deus de Konan, Suzako. O Imperador também esperava pela Miko, pois tinha esperança de que essa fosse a mulher escolhida pelo deus para fazer a sua felicidade e se apaixona perdidamente por ela. Miaka passa a ser a Suzako no Miko e tem que encontrar os sete guerreiros escolhidos para que possa convocar o deus. O que Miaka ganharia com isso? Três desejos, qualquer coisa que desejasse! Tentador, não? Pois é, só que mal poderia a menina saber que acabaria reencontrando sua melhor amiga, Yui, agora como sua inimiga, a Seryuu no Miko.

Yui passou maus bocados até encontrar Miaka e foi salva por um dos seichis de Seyuu, Nakago, que a convenceu que todos os seus problemas foram causados por sua ex-melhor amiga. Fora isso, sua paixão por Tamahome e deixa cega a qualquer tentativa de aproximação de Miaka. Sendo capaz de qualquer coisa e manipulada por Nakago, Yui se torna peça importante no desenrolar dos acontecimentos, pois deseja também convocar Seryuu.

Um dos maiores atrativos de Fushigi Yuugi são as personagens. Miaka é odiada por muitos, mas eu a encaro como uma protagonista simpática e possível. Os exageros ficam mais por conta da história em si que não tem um enfoque realista. Já alguns seichis, se destacam. Nuriko é ótima como travesti e uma grande amiga para a protagonista. Hotohori é uma personagem extrememente nobre e humana, talvez a minha favoita em toda a história. Tasuki consegue ser bem engraçado e sua interação com Tamahome é muito boa. Esse último, aliás, teria tudo para ser um chato, mas consegue ser um sonho de "príncipe encantado". O "no da" de Chichiri também é um dos charmes da série. Já do lado dos "maus", Nakago, o seichi principal de Yui, que é loiro de verdade, é um dos melhores vilões de mangá (e anime) que já vi. Aliás, Watase desenvolveu uma grande pesquisa para fazer o mangá, e mostrou bem os seus conhecimentos ao colocar Nakago como membro de um clã caucasiano que habitou a China Antiga. Falando um pouco de Yui, bem, ela consegue ser absolutamente detestável, em alguns momentos é uma pessoa absolutamente vil. Mas falar mais é dar spoiler. No mundo real, temos o irmão de Miaka que é o contrário dos irmãos chatos que sempre se vê por aí, e que sofre lendo as aventuras de sua irmã no livro, tentando ajudar como pode.

Miaka e seus seichis

Fushigi Yuugi é a primeira obra de grande sucesso de Yuu Watase e foi publicada na Sho-Comi da editora Shogakukan, entre 1992 e 1996. O mangá original tem 18 volumes mas a história do "Universo dos Quatro Deuses" não parou por aí. Além do mangá, tivemos uma série animada de 52 episódios cobrindo a primeira parte da história. Eu conheci Fushigi Yuugi através do anime, que é quase fiel ao mangá, seu único ponto negativo seria a animação irregular. Além do anime foram produzidos 9 OAVs, 3 para acertar os acontecimentos do anime com os do mangá e 6 cobrindo o restante da série de quadrinhos. Fora isso temos os gaidens da série em forma de romance. Esses livros foram escritos por outros autores (só as ilustrações são de Watase) durante a publicação da segunda fase do mangá (volume 13 ao 18) e se intitulam Fushigi Den ("den" quer dizer lenda). Esses romances tratam de acontecimentos passados antes da chegada da Suzako no Miko e tem como protagonistas os seichis. Fora isso, Watase voltou a revisitar o ambiente de Fushigi Yuugi em um dos seus novos mangás que contam a história da Genbu no Miko, a filha do tradutor do Shi Jin Ten Shi Sho e primeira a entrar no livro.

Eu particularmente não sou fã da autora de Fushigi Yuugi, principalmente, porque ela se mostra bem bobinha nos freetalks que aparecem no mangá, fora isso, ela fez escolhas no decorrer da série que me pareceram fracas ou moralistas. O melhor exemplo disso é o tratamento dado a excelente personagem Nuriko. Mas é opinião minha, e nada do que eu possa dizer tiraria o mérito da série e, principalmente, arranharia o currículo da autora que fala por si mesmo. Aliás, é muito interessante pegar os mangás posteriores de Yuu Watase e ver o quanto seu traço se torna mais consistente, detalhista e, porque não dizer, bonito. Gostando ou não de Fushigi Yuugi ou da autora é impossível ignorar que praticamente tudo o que ela faz é sucesso. Aliás, outra de suas séries, Ayashi no Ceres também virou anime.

Aqui no Brasil, a publicação de Fushigi Yuugi está a cargo da Editora Conrad e já passou da metade. Algumas pessoas reclamam da tradução, mas eu não leio japonês e não posso comentar. Só digo que o texto parece fluir bem em quase todos os momentos. Como crítica a editora tenho a mudança de papel, fora outros pequenos aspectos da publicação em si, e a falta de um subtítulo. Para alguns jornaleiros é muito difícil guardar o nome "Fushigi Yuugi" e um recurso como o usado nos EUA, onde a série tem o subtítulo de "Misterious Play", ajudaria bastante.

Por enquanto é só. Talvez, no futuro, essa seção possa crescer. Quem sabe outros mangás de Watase não possam ser lançados aqui? A história da Genbu no Miko, Ayashi no Ceres ou Imadoki seriam ótimas escolhas.




Webmistress: Valéria "Utena-sama" - 25/04/2004



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