Os animes são conhecidos em nosso
país desde pelo menos o início dos anos 70 e séries como Speed Racer e Patrulha Estelar marcaram sua época ficando
na memória de toda uma geração.
Essas séries são ótimas, com certeza, e fizeram parte da minha infância, entretanto, outras
séries japonesas também chamavam minha atenção ...
Nessas outras séries, ao invés de naves espaciais, corridas de carro e cruéis extraterrestres de
pele azul, havia heroínas loiras, atormentadas por inimigos
terríveis, geralmente humanos, sempre
sofrendo, mas dispostas a ajudar as outras pessoas. Lembram de Candy, Angel, Favos de Mel? Eram todas séries
shoujo. Aliás, a primeira cena de morte, morte mesmo, dramática, irreversível, que eu assisti
em um desenho animado, foi em Candy Candy!
Essas primeiras séries shoujo exibidas no Brasil tinham uma série de características comuns,
marcas do gênero nas décadas de 70 e início da década de 80: a ambientação era quase sempre fora do Japão,
normalmente na Europa; as heroínas tinham sempre cabelos louros em oposição às vilãs que eram, via de regra,
pérfidas morenas; boa parte das heroínas eram pobres órfãs que eram recompensadas ao encontrar o verdadeiro amor de suas vidas.
Entretanto, não devemos acreditar que esses
eram traços obrigatórios para todo o gênero, pois nos shoujos escolares e de esportes da época,
como Ace wo Nerae, Glass Mask
e Oniisama e..., as coisas eram diferentes: as heroínas
eram morenas, não havia grandes vilãs mas belas, elegantes e louras antagonistas. Por que isso?
Dentro do shoujo clássico,
quando a protagonista era uma menina comum, ela não era nem belíssima, nem perfeita, nem brilhante,
tendo que se esforçar, se superar, para atingir
um objetivo (na escola, nos esportes, no teatro, etc.). essa menina tinha sempre cabelos escuros, como
o da maioria das suas leitoras. O louro funcionava como
um signo de nobreza, pureza, superioridade inalcansável, assim, cabia às heroínas
morenas a função de levar a leitora comum a uma identificação. Interessante é que, nesses casos, a antagonista,
sim, pois o termo vilã não se aplica na maioria dos casos, é que é perfeita, magnífica e, por isso mesmo, loura.
Esses contrastes, que eu que assisti tão pouco sou capaz de arrolar,
mostram bem a riqueza do shoujo anime e manga e de como não é seguro se fiar em estereótipos.
Tivemos que esperar muito tempo, quase uma década, para que através de Sailor Moon, os animes
shoujo voltassem à nossa tv . Essa série chegou sem grande alarde e logo as meninas com roupa de
marinheiro invadiram nossos corações. Nessa mesma época, 1996,
também, chegou às nossas TVs uma das
melhores séries de anime já passaram por aqui: Guerreiras Mágicas de Rayearth. Ambas as séries foram
muito maltradas, seja por uma dublagem descuidada ou por mudanças constantes de horário.
Bem,
desrespeito com a animação no Brasil é coisa corrente, ainda mais nos dias de hoje quando a censura que existe de fato, mas não de direito,
se tornou regra.
O ano 2000 nos trouxe melhores notícias pois, através da TV por assinatura, Sailor Moon retornou,
trouxeram Super Pig, Card Captor Sakura, o clássico Sukeban Deka, Corrector Yui. Já a Locomotion trouxe séries curtas e
um pouco mais maduras como Pet Shop of Horrors que mistura terror com toques de shounen-ai.
Com certeza não é muito, é só a pontinha de um iceberg, mas estamos em situação melhor do que
em boa parte dos anos 80 e 90. E com os fansubers e a net temos muito mais possibilidades de
assistir bons animes!
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