Shoujo Kakumei Utena



Por que Utena? Essa série é muito importante para mim e já gostava dela mesmo antes de assistir a um só episódio.Utena's coffin Mas como pode ser isso? Achei o visual interessante, gostei do argumento e da forma como as questões de gênero são colocadas. Acabei mesmo adotando Utena como meu nick principal na net, aliás, quem já me viu nas listas de discussão da yahoo sabe que meu apelido é Utena-sama. Hoje sei que não deveria usar o "sama", mas na época que escolhi não tinha muita certeza do que significava (*sabia que não era algo ofensivo, claro*) e gostava da sonoridade da coisa na voz de Anthy, a noiva da rosa. Além desses fatores, a série de TV me aproximou de dois dos meus maiores tesouros: meu doce Kamugin e do clássico A Rosa de Versalhes.

A primeira vez que ouvi falar de Utena foi em 1998, numa edição da antiga revista Anime-DO. A chamada para uma matéria futura, me deixou curiosa, pois falava que Utena era uma série polêmica e que seguia o estilo francês da Rosa de Versalhes. Mas como não entraram em maiores detalhes à repeito desse tal estilo francês e, tão pouco, a matéria prometida saiu, tive que buscar outras fontes. Depois de algum esforço, e da ajuda fundamental do meu meu amigo Kamugin (*hoje, meu marido*) pude assistir toda a série e acabei conseguindo o mangá, também, em japonês. A leitura foi feita da forma mais cansativa possível, olhando as imagens e depois o script em inglês. Agora, depois de ver o movie, tenho condições de montar um quadro mais completo do que pode ser chamado de Shoujo Kakumei Utena. Posso dizer sem errar que cada parte da obra - mangá, anime, movie, mangá do movie - é um trabalho diferenciado e que a história apresenta vários matizes, não deixando espaço para uma única interpretação dos fatos. Esse caráter pós-moderno do universo de Utena é outro fator que faz com que a série seja tão interessante para mim.

O conceito original da história é uma obra conjunta de Be-Papas e Chiho Saito, famosa mangá-ka, responsável também pela arte. Aliás, não há como negar a beleza do traço do mangá (5 volumes, 1996-1997) saído na revista Ciao, a complexidade da série de tv (39 episódios, 1997) e o arrojo do movie (1999). A série e o movie, que foi prometido em DVD no Brasil mas nunca saiu, contam, também, com uma trilha sonora fantástica, sem sombra de dúvida, uma das melhores que eu já ouvi.

Shoujo Kakumei Utena, com certeza, é uma obra muito especial,Utena e Touga: Movie formando uma quadrilogia interessante com A Rosa de Versalhes, Princesa e o Cavaleiro e Paros no Ken. O que está em pauta nessas séries é o lugar da mulher em um mundo feito por e para homens. Neste mundo, Safiri tinha que fingir que era um homem para sobreviver, já Oscar teve que sublimar sua feminilidade para ser vista como competente, já Erminia teve que abrir mão de sua coroa para não perder o seu amor. Utena, no entanto, vai um pouco além: ela quer se libertar dos papéis impostos. Ser o príncipe, para a heroína, não quer dizer tornar-se um homem, mas, sim, poder escolher o que fazer e como se comportar. Isso fica marcado em Utena, desde o seu uniforme. Parece tolice, mas não é, pois todos nós, homens e mulheres acabamos pressionados a nos encaixarmos em papéis predeterminados, só que no caso feminino, muitas vezes, não há valor nem prestígio envolvido nisso, só uma série de obrigações, onde desejar ser diferente dos padrões de feminilidade constitui uma transgressão. Aliás, Anthy representa a exacerbação desses padrões de feminilidade, através de seu silêncio e subordinação. Neste mundo, se revoltar contra papéis impostos é sofrer, portanto, é preciso ser muito forte para manter-se nobre. É isso que Utena consegue e tantos de nós sequer ousamos tentar.




Livro de Visitas:




Webmistress: Valéria "Utena-sama" - 17/01/2002