| Shoujo House
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Sailor Moon...
Rayearth... Card Captor Sakura
... Candy Candy... Angel, a Menina das Flores...
Honey Honey...
Hamtaro... Super Doll Licca-chan...
Fushigi Yuugi...
Com certeza, você já ouviu falar de pelo menos uma dessas
séries, certo?
E o que vem a sua mente quando você pensa nelas?
Muitas pessoas pensam em menininhas bonitinhas, com olhos
imensos, longos cabelos, mascotes fofinhos,
rapazes andróginos, romances adocicados, poderes mágicos, ...
Estas são imagens
comuns em especial quando lembramos de alguns desenhos animados japoneses exibidos em nosso país.
Todas essas séries são animes (desenhos animados) ou mangás (quadrinhos) As séries animadas, na maioria das vezes, são baseadas em mangás, mas, hoje em dia, um jogo, um livro de sucesso, um filme com atores e atrizes de carne e osso, uma novela de tv são um ponto de partida cada vez mais comum. Até os romances Harlequin, esses que saem em banca de jornal, são transformados em mangás pelas japonesas. O importante é que lá no Japão, ao contrário do que ocorre no Ocidente, existem quadrinhos feitos para o público feminino de todas as idades. Histórias que geralmente são desenhadas e escritas por mulheres. Em um país de cultura bem machista, como a japonesa, o emprego de quadrinista talvez seja o único no qual as mulheres competentes têm a chance real de ganhar o mesmo, ou até mais, do que os homens na mesma função. Quando o público gosta de uma história, participa intensamente escrevendo cartas para suas mangá-kas favoritas e recebendo resposta direta nas páginas da própria revista. São os chamados "free-talks". Se você está lendo ou leu Fushigi Yuugi, Peach Girl ou Fruits Basket, Angel Sanctuary, já deve saber do que estou falando. Por isso mesmo, é como se as histórias falassem às leitoras diretamente, sendo que elas mesmas ajudam com suas experiências a autora a enriquecer suas tramas. Desta forma, não existe assunto tabu: prostituição juvenil, aborto, anorexia, problemas familiares, primeira vez, estupro, incesto, tudo pode aparecer dentro de um mangá. Muitas vezes, o shoujo anime e mangá é associado às histórias melodramáticas, como as novelas mexicanas, mas isso é fruto da falta de informação ou do preconceito mesmo. Existem histórias bem "áçucar e lágrimas", é verdade, e não é demérito nenhum gostar delas, mas shoujo não é somente isso. Não é tão simples dizer o que é um shoujo e muitos dos supostos entendidos reduzem todo este universo a uma única palavra: ROMANCE. Esse gênero, como qualquer outro, é bem mais amplo e variado, e agrada principalmente pela profundidade com que trabalha a psicologia das personagens, abordando questões humanas e dramas que muitas vezes fazem parte do nosso dia-a-dia. Só para se ter uma idéia, a primeira vez que a questão da Aids apareceu em um mangá foi exatamente em um shoujo, Tomoi, de Akisato Wakuni, no qual as protagonistas eram homossexuais. E isso nos anos 80, quando o conhecimento sobre a moléstia ainda era bem limitado. É preciso dizer, também, que
a indústria do manga no Japão é muito segmentada, isto é, as
histórias normalmente são publicadas em revistas,
grossas como listas telefônicas, que podem ser
semanais, quinzenais, mensais ou bimensais; com estórias que podem se estender por vários
volumes ou serem concluídas em uma só edição. Tais revistas são
destinadas às mais diferentes faixas etárias das crianças em fase de alfabetização
às mulheres de mais de 40,
e têm estilos variados, indo dos romances escolares aos dramas históricos, dos contos de terror
às aventuras eróticas. Dentre essas revistas, as destinados
a mulheres adultas - lady's comics ou josei -
foram as últimas a serem criadas, só no início dos anos 80, e os mangás publicados nelas são chamados de
josei. Aqui no Brasil, as pessoas conhecem bastante coisa das revistas para pré-adolescentes, como a Nakayoshi, na qual foram publicadas Sailor Moon, Rayearth e Card Captor Sakura, mas desconhecem quase todas as outras. Talvez por isso mesmo, em nosso país se publique tão pouco shoujo sob o argumento de que tais revistas não venderiam. O que nossos editores e emissoras de tv não querem saber, é que por serem tão variadas na temática e explorarem tão bem as relações e sentimentos humanos, as séries shoujo acabam agradando não só ao público feminino, mas ao masculino, e as comunidades e fóruns sobre shoujo estão cheios de garotos e rapazes que curtem shoujo tanto quanto nós. Além disso, mesmo o público pré-adolescente é carente de boas histórias, não fosse assim, WITCH, que bebe na fonte dos shoujos tipo Sailor Moon, não seria sucesso mundial. Enquanto países como Itália, França e EUA têm cada vez mais títulos shoujo nas bancas ou livrarias, aqui em nosso país as editoras parecem cegas, apostando em títulos repetitivos, mangás centrados em ação, violência e até sexo, mas sempre de olho em um suposto público masculino "hegemônico". Quando apontamos o preconceito ainda temos que ouvir que devemos ficar felizes por termos três, dois, um, qualquer coisa na banca para "as garotas", isso quando com desprezo ainda acrescentam "e os boyolas". Afinal, trata-se de quadrinhos "cor de rosa" e, por isso mesmo, inferiores e para gente de "menor importância" como mulheres e gays. O ano de 2005, parecia estar prometendo alguma mudança com o anúncio do Angel Sanctuary, proposta interessante e corajosa da Panini. Só que a mesma editora nos decepciona ao ameaçar cancelar Peach Girl, talvez Ao shoujo mais amado do Brasil hoje. Efetivamente, nenhum de nós sabe se o mangá se encerra, mas ao que tudo indica, Peach Girl deve ter o mesmo destino de Shin-chan. Agora, em 2006, a Panini anúnciou, uma grata surpresa, e Karekano, um dos mangás mais esperados pelos fãs... Vamos ver quanto tempo vai demorar para que apareçam em nossas bancas e torcer para que não aconteça um outro cancelamento. Já a JBC que parecia não enxergar nenhum shoujo que não fosse CLAMP, licenciou Fruits Basket, um dos grandes sucessos do momento. É motivo para comemorar, claro, mas não devemos esquecer que o último volume de X saiu em maio, sem perspectiva de um novo, já que não aparece nada da série no Japão faz dois anos. Para não nos deixar sem CLAMP, a editora providenciou Tokyo Babylon, pelo menos trata-se de outro shoujo mangá e que me ajudou a aliviar um pouco minha decepção em relação à CLAMP. A Conrad que concluiu Fushigi Yuugi e deixou os fãs de shoujo sem nada para ler no lugar. Lançou Evangelion Shoujo, mas muito mais pensando no público de EVA do que nos fãs de shoujo mangá. Decepção total. Enfim, é preciso manter os pés no chão, continuar escrevendo para as editoras e fazendo abaixo-assinados, mesmo sabendo que elas podem não nos ouvir, como no caso Peach Girl. Decidi não mudar nada do parágrafo anterior, mas tenho que dizer que a situação, no caso dos mangás, começou a virar em 2007.
A New Pop estreou no mercado com um shoujo, 1945. No caso da televisão, só repetições, vez por outra, de Sakura e Sailor Moon, Hamtaro e Licca-chan, como pouquíssimas novas estréias como Mirumo Zibang, mesmo assim, só para quem tem tv por assinatura. Kaleido Star deu a muitos a idéia de que era shoujo, não era, mas, com certeza, agradou muito aos que puderam acompanhar um pouco a série. Ashita no Nadja foi um presente, apesar de maltratado com horários ingratos e não incluído na grade da TV aberta. Está saindo em DVD, mas é uma série longa e que recebeu nenhuma propaganda. Já Tokyo Mew Mew virou "Super Gatinhas" nas mãos da 4Kids, sofrendo mutilações e mudanças de nome. Não merece sequer maiores comentários. A estréia do Canal Animax não trouxe ganho algum para os fãs de shoujo, pois os animes apesar de vários animes serem exibidos nas filias da Ásia, aqui eles não chegam. Nada de Paradise Kiss, Fushigi Yuugi ou Honey & Clover para a gente. Voltando aos DVDs, o movie de Utena, mas de forma porca e displicente, para se ter uma idéia, nem legendas - em japonês ou português - o DVD traz. Já estivemos em situação pior, é verdade, mas já poderíamos ter caminhado muito mais, não fosse o preconceito contra o shoujo no Brasil. A Coréia, seguindo o exemplo do Japão, tem publicado muitos quadrinhos hoje em dia. Há pessoas que confundem as produções coreanas com as japonesas, mas há diferença entre elas, a começar pelo país de origem. Logo, manhwa não é mangá. E esta página não tem como objetivo falar dos sunjeong manhwa, que são os quadrinhos coreanos para garotas. Claro que se alguém quiser escrever resenhas para o site, será muito bem-vinda, afinal, logo teremos o primeiro sunjeong manhwa, Tarot Café. No entanto, preciso lembrar sempre que o assunto prioritário aqui é shoujo ou, no máximo, algum material que me agrade incluir. Bem, espero que você goste de nossa página! Sinta-se a vontade para criticar e deixar recados, pois o livro de visitas está às ordens! |
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