Karekano, ou Kareshi Kanojo no Jijou,
é uma daquelas séries que consegue cativar a todos. Aqui no Brasil, a
série animada recebeu dos fansubers o subtítulo de "Coisa de Namorados" que, aliás, se encaixa muito bem, talvez melhor
do que "Circunstâncias dele e dela" que é a tradução escolhida para os títulos internacionais. ^_^
Quando encomendei minhas fitas a um fansuber, no ano de 2000, por sugestão
de um amigo (*hoje meu marido*)
não poderia supor o quão
apaixonante poderia ser
a história de Miyazawa e Arima, uma história de namorados, verdade, mas que não se restringe
de maneira nenhuma a isso. Do anime, passei para o mangá e
acabei gostando mais ainda da história.
O mangá de Karekano começou a ser publicado em fevereiro de
1996 na revista Lala, da editora
Hakusensha. Seu final foi esse ano, 2005, e o
último capítulo foi publicado em um dia 23 de abril. A série teve ao todo, 21 volumes encadernados.
Durando bem mais do que seria o
ensino médio japonês, Karekano não correu em tempo real como
Seito Shokun!, por exemplo. Aliás, os últimos 8 ou 9 volumes cobriram tão poucos meses que no volume
13 eles já estão se encaminhand para o final do terceiro ano e somente se formam no volume 21.
A autora, Masami Tsuda,
que durante muito tempo, devido à informações confusas, pensei que fosse homem,
era então uma novata que tinha feito alguns poucos mangás curtos. Foi Karekano que mostrou ao mundo
o seu talento. Seu traço muda um pouco durante a série, no início da série, onde o humor era mais presente,
ela usa recursos como o SD com muita freqüência, posteriormente,
seu traço vai ficado mais bonito e sério acompanha a densidade dramática do roteiro.
Só as capas é que não acompanham, quer dizer, a última em especial
é um exemplo de como uma capa sem graça pode afastar leitor. De qualquer forma, espero que
as capas daqui sigam o exemplo da Tokyopop que escolhe sempre ilustrações muito bonitas. Karekano é um legítimo
shoujo, a história vai fundo nos sentimentos e vivências das personagens, transformando
o dia-a-dia e
seus eventos, aparentemente banais, em um atrativo para os
leitores. Fora isso, as personagens são absolutamente humanas e críveis, ou seja, você poderia esbarrar com elas na vida real,
muito mais facilmente até do que com a Sae de Peach Girl.
Karekano tem dois protagonistas, Miyazawa Tsukino e Arima Soijiro. Ambos têm quinze anos no começo da história,
acabaram de entrar no colegial,
e são alunos brilhantes. Miyazawa é uma menina pobre e busca a perfeição em cada ato.
Para ela, não basta ser inteligente, nem bonita, pois para ser bem sucedida na vida (*leia-se rica*)
é preciso ser popular, enfim, ser admirada e idolatrada por todos.
Para isso vale qualquer falsidade e ela usa mais "máscaras" do que a Maya de
Glass Mask.
Já Arima, menino rico que optou por freqüentar uma escola pública,
parece não se preocupar com essas coisas, sempre gentil, atencioso,
parece o oposto da dissimulada Miyazawa e termina por superá-la nas notas.
A moça não suporta a situação, mas como vencer alguém tão gentil? Só que
um belo dia, quando foi de surpresa
à casa de Miyazawa prestar um favor, Arima descobre
a "verdadeira" face da moça (absolutamente desleixada quando está em casa)
e começa a chantageá-la. Acuada, ela acaba descobrindo
que Arima não é um anjo e, também,
que ambos estão apaixonados um pelo outro.
Romance japonês em alguns casos parece demorar séculos para engrenar, mas Karekano não fica se perdendo
nas lenga-lengas típicas de outras histórias, tanto shounens (*Love Hina, Ranma, InuYasha, etc.*)
quanto shoujo (Hana Yori Dango),
nas quais para que um beijo aconteça temos que esperar até quase até o fim da série.
Em quatro episódios de anime - dois volumes de mangá -
já se poderia ter um desfecho com final feliz sem que nenhuma ponta ficasse solta.
No entanto,
a história continua,
novas personagens são introduzidas e desenvolvidas, e a ação se desloca freqüentemente
de forma que o romance central não se desgaste. Miyazawa, que sempre fora solitária, por ser falsa e muito competitiva,
faz amigos pela primeira vez na vida; tanto ela quanto Arima têm
que aprender a dividir o tempo entre namoro e estudos; e, para a nossa surpresa, acabam
fazendo amor pela primeira vez... Enfim, enfrentam dramas muito típicos dos japoneses mas, também,
muito
próximos da realidade de quase todos os adolescentes. Fácil entender o sucesso da série.
Todas as personagens de Karekano são
legais, ou pelo menos eu não consegui desgostar de nenhuma delas (*salvo a mãe biológica do Arima, talvez...*),
mas algumas são realmente
marcantes e só vou citar alguns. Temos
Pero-Pero, o cachorro estranho de Miyazawa. Maho, a menina madura que no início tem
inveja da protagonista mas se torna sua amiga. Asaba o amigo grude de Arima que tenta acabar
com o namoro dos dois porque sente ciúmes do amigo. Chibahime, a lindíssima (*nem Miyazawa pode negar
isso e exclama "bishoujo!" quando a vê*),
amiga de infância apaixonada por Arima e
que decide infernizar Miyazawa quando a conhece nos proporcionando as melhores perseguições de gato-e-rato da série.
Aliás,
não pense que Miyazawa é a vítima porque ela não deixa barato.
O anime, de 1996, foi feito pelo conceituado estúdio Gainax, e teve direção de Hideaki Ano o
mesmo que ganhou fama de gênio ao criar o já "lendário" Evangelion.
Coloco essa nota simplesmente para situar a coisa, porque não vejo nada de brilhante em EVA.
Engraçado é que a adoração por Evangelion, somado ao desconhecimento e
ao preconceito contra o shoujo mangá fez com
que muitos creditassem à Ano todas as boas qualidades de Karekano,
dizendo que ele teria inclusive brigado
com a autora para
poder transformar a estrutura lenta do mangá ao seu estilo "revolucionário" de fazer anime.
Pura invenção!
Basta abrir o mangá de Karekano e ver que está tudo lá, com o mesmo humor, a
mesma profundidade e a mesma rapidez. As elocubrações e fantasias de Miyazawa,
o drama psicológico de Arima, nada é criação de Ano. Agora, é exatamente por
captar o clima do mangá com fidelidade que o anime é brilhante. Em especial os
quinze primeiros capítulos. Depois disso, mesmo que a história continue valendo a pena,
a falta de planejamento de gastos da Gainax faz
com que se repitam os flashbacks, episódios com imagens paradas e palitinhos,
além de ter sido criado um episódio shoujo-ai centrado
nas irmãs de Miyazawa que nada tinha a ver com o espírito do anime nem do mangá.
Enfim, não fosse a força dos episódios do início ao meio, Karekano poderia ter perdido o brilho.
O anime teve somente vinte e seis
< episódios, muito pouco para o que o mangá merecia. Aliás, a continuidade do mangá é excelente
e tem momentos deliciosos como
o Ato 0 - a história é dividida em atos - que mostra o dia em que os personagens estavam fazendo
a prova de admissão no colegial ou a visita a Kyoto. O licenciamento do mangá nos EUA fez
com que parassem de colocar as scanlations na net (*a coisa continua meio nas sombras*)
e não pude ler mais nada do mangá para
além do volume 11, todas as minhas informações estão vindo das sinopses dos capítulos
como os do grupo Rosetta Stone Cafe e páginas da internet.
Em japonês, comprei até o volume #15, além desse número, tenho alguns scans raws em japonês e chinês.
Antes eu tinha colocado vários spoilers sérios do mangá e
recebi e-mails reclamando. Por isso, estou colocando em uma página a parte. Se você quiser saber como foi o
último arco da história e o último capítulo, clique *AQUI*. Se não curte spoilers, torça para que os fãs terminem a tradução, ou para que o
mangá, o mais pedido das nossas enquetes, seja publicado.
Só concluindo, reafirmo que Karekano anime é muito bom e as críticas feitas não têm
como objetivo desmerecê-lo. Bom seria poder
assisti-lo nas nossas tvs no fim da tarde e colecionar o mangá, desfrutando todas as facetas
das personagens criadas por Masami Tsuda. Na Itália, por exemplo, o anime foi exibido na MTV.
Seria legal também ouvir
notícias de que estão lançando mais material animado de Karekano, pois a história renderia ótimos OVAs,
com certeza. Enfim, se tiverem chance, peçam as
fitas a um fansuber, o Shinseiki de preferência pois
foi ele que legendou Karekano em português quando ninguém no mundo falava da série ainda.
Outra opção é baixar na net. Sugiro
também que vocês passem na seção de links e visitem as
páginas de Karekano que estão lá. Destaque especial para
a página Loucos por Anime, da minha
amiga Jessie, pois lá vocês encontram a sinopse de todos os episódios da série
animada de Karekano. Só uma última coisa: haja o que houver, não deixe de
assistir Karekano, pois é obrigatório!
Quando fiz essa seção não tinha incluído Karekano entre os mangás que desejaria ver publicados no
Brasil, mas com o tempo, voltei atrás.
Há espaço para Karekano, a trama não perde o fôlego e o mangá foi concluído recentemente.
Fora isso, Karekano mangá seria
um sucesso com certeza, com ou sem anime, já que muitos fãs esperam ansiosamente por seu lançamento.
Fora isso, a série é bem sucedida em vários países: Itália, Espanha, EUA e França. Só mesmo o pensamento tacanha que
impera em nosso país, a atitude típica de achar que
as pessoas querem ver sempre as mesmas coisas e que shoujo mangá não tem público, é que impediram Karekano de aparecer em
nossas bancas.
Somente os boatos bobos que depreciam o mangá em função do anime poderiam atrapalhar um pouco. Mas certeza de fracasso? Só
em um universo paralelo. Para quem quer ter o gostinho de ler o mangá, o pessoal do grupo brasileiro
Shinken-Mangá está fazendo a tradução de Karekano e
já passaram do volume #5. Só que você agora não precisará mais de scans, afinal, a Panini anunciou que Karekano finalmente vai sair por aqui.
Um dos mangás mais pedidos nas minhas enquetes sempre foi Karekano. Sempre soube que ele sairia por aqui, houve tempo em que pensei que
a JBC lançaria a série. Não vou dizer que não fico preocupada com o fato de ser a Panini, afinal, o caso Peach Girl continua rolando até hoje,
mas é fato que a equipe da Elza Keiko - gente que gosta e entende de mangá - em dado grande qualidade às publicações da Panini. Por isso mesmo,
pessoal, antes de tacarmos pedra, vamos prestar atenção em quão importante é a publicação dessa série em nosso país. Sei que alguém pode dizer que
falo porque já sei o final. Sim, realmente tenho quase todo o mangá em inglês e principalmente em japonês aqui em casa, mas, muito mais interessante é
ter Karekano na minha língua, com uma edição bem cuidada e acessível ao maior número possível de pessoas. Torço por Karekano e que a Panini não nos
deixe na mão.