Nodame Cantabile


Ouvi falar desse mangá por acaso, quando ele foi finalista do Prêmio Maior do "Tezuka Cultural Award 2005". Comecei a procurar scanlations na net e não achei nada. O mangá tinha sido licenciado tão rápido no EUA que só encontrei scans da edição coreana. A arte do mangá pareceu simples e até sem graça, à primeira vista. Só que as boas noticias sobre a série continuavam a chegar, soube que ele tinha ganho o 28º Kodansha Award (*2004*) na categoria shoujo e ele quando ele apareceu em primeiro lugar tanto no ranking da Tohan quanto no da Taiyosha derrotando One Piece, decidi que precisava dar uma olhada nele. Afinal, para receber tanta atenção, ele precisava ter algo de "especial".

Do que trata este mangá? Bem, Nodame, ou melhor, Megumi Noda é uma das personagens principais do mangá, tendo lido vários volumes, pois não posso dizer que ela é a personagem principal. A moça é somente uma estudante de música, esquisita, cheia de manias estranhas, tem preguiça de ler a pauta musical (*não me perguntem como ela está em um curso superior de música*), mas possui um talento enorme e é capaz de tocar piano em estilo cantabile como ninguém. E é isso que chama a atenção de Shinichi Chiaki. O rapaz é um estudante de música de grande talento e seu sonho é ser um grande maestro. Ele tem como ídolo o maestro Sebastiano Viera que lhe incutiu a paixão pela música e o fez sonhar. Chiaki morava em Viena, onde o pai, um famoso pianista, toca na orquestra regida por Viera, só que quando seus pais se divorciam, ele foi obrigado a abandonar o contato direto com o mundo da música e voltar para o Japão.

Nodame

No retorno ao país natal, o avião teve que fazer um pouso forçado e Chiaki acabou ficando tão traumatizado que não consegue se imaginar voando outra vez. Pior é que sua fobia se estende ao mar que para ele é tão ameaçador quanto os céus. Só que ele sabe bem que um maestro para atingir o ápice da carreira precisa ir à Europa, estudar lá. Só que o emocional, não acompanha o racional. Assim, seu gosto pela música começa a atrofiar, ele se torna amargo e agressivo, a ponto de se desentender seriamente com seu professor e ser chutado pela namorada patricinha que "não quer saber de perdedores". É aí que ele ouve Nodame tocando e sua vida começa a mudar. Nodame é alegre, descompromissada, meio fora do ar. Seu quarto parece um chiqueiro e ela até esquece de tomar banho. Adora música, toca de ouvido melhor do que lendo pautas musicais. Chiaki a princípio não gosta dela, não entende porque sua música o tocou tanto. Termina por descobrir que Nodame é sua vizinha, e ele nunca tinha notado.

Como brigou com o autoritário professor Eto "harisen" Kouzo que só lecionava para "os gênios", agora Chiaki vai ter que ir para as mãos daquele que só leciona para excêntricos. De novo seu destino se cruza com o de Nodame e ele descobre que o seu novo professor, Tanioka Hajime, desejava usar a moça para dar-lhe uma lição sobre o que é ter paixão pela música. O convívio com ela no conservatório faz com que ele vá visitar sua casa para ensaiar. Já que o apartamento de Nodame é entulhado de lixo e o rapaz que não suporta sujeira, ele termina limpando tudo e mais de uma vez! Como nem tomar banho direito a moça toma, e lá vai Chiaki lavar sua cabeça imaginando que está dando banho em um cachorro. Como ele cozinha bem e Nodame, não, mesmo sem saber porque ele começa a alimentá-la regularmente. Enquanto isso, a moça faz com que ele volte a amar a música e a vida.

Chiaki até se dispõe a ajudar outras pessoas por causa de Nodame, como o jovem violinista Mine que queria ser roqueiro, mas graças ao protagonista descobre sua "vocação" para a música erudita. Além disso, passa a conviver com Chiaki pessoas com as quais nunca poderia se imaginar tendo relações. Além de Mine, Chiaki ainda começa a se aproximar do timpanista talentoso Masumi, um rapaz que usa blackpower, veste-se como se estivesse nos anos 70 e é apaixonadíssimo por ele e "odeia" sua rival, Nodame. A moça, claro, se apaixona por Chiaki que é um dos rapazes mais cobiçados da escola. Chiaki que tem um ego monstruoso e um gênio destemperado, não admite que sente o mesmo.

Um dos pontos altos do mangá é a criação da S (Special) Oke (Orquestra). A S-OKE é criação do maestro Stressmann, um alemão que vem lecionar temporariamente na Academia. Stressmann é um velho sem nenhuma compostura, dado à bebedeiras e farras com as mulheres. No início, Chiaki e Mine crêem que ele é um impostor, disposto inclusive a seduzir Nodame, mas o velho mostra o seu valor e Chiaki, que se torna regente temporário da S-OKE, aprende muito com ele... E com Nodame, claro... Mas o processo de abertura e cura é lento, mas no volume atual, o 16, já podemos ver Chiaki e Nodame na França. Quer saber como? Leia o mangá!

Depois de ler o primeiro volume, já sei exatamente o que Nodame Cantabile tem de especial e me sinto meio como Chiaki. O mangá parece sem graça, assim como Nodame, só que conforme você vai lendo, percebe o quanto ele é único e encantador. A arte simples, típica das revistas shoujo mais adultas, não te distrai. Não há olhões, bishounens lindos ou coisas do gênero. Tudo está a serviço da história e da música que não ouvimos mas somos capazes de imaginar. Aliás, a autora desenha muito bem os instrumentos músicais, talvez com mais apuro que as pessoas. Há também as notinhas, não tão rebuscadas quanto em Swan, que nos contam a história de determinada sinfonia ou peça que está sendo executada. Além disso, há humor, não daquele tipo que te faz rir às gargalhadas, mas daquele que nos provoca um riso discreto, às vezes somente com o canto da boca. Enfim, é um mangá simpático, que conquista e encanta, mesmo sem poder ser chamado de "obra-prima". Outro mérito de Nodame, pelo menos para mim, é a quantidade de referências à séries clássicas. Nodame, por exemplo, é fã de Touch e da Rosa de Versalhes. Masumi-chan também adora a obra máxima de Riyoko Ikeda e chegou a se fantasiar de Maria Antonieta em um dos capítulos do mangá.

Chiaki e Nodame

A autora de Nodame Cantabile é Tomoko Ninomiya e a série é publicada na revista Kiss desde 2002 e é um belo exemplar daquilo que é chamado de josei mangá. Nodame Cantabile divide as páginas da Kiss com um mangá bem mais famoso no Ocidente, Kimi Wa Pet. A autora de Nodame Cantabile não é nenhuma novata e está publicando desde pelo menos 1995, só que não com tanto reconhecimento, apesar de um de seus mangás, Green, ter virado novela. Além disso, ela não esteve sempre ligada à Kodansha, tendo publicado na Feel Young, que é da editora Shodensha, e em revistas da editora Gentousha. Esta página tem informação sobre os mangás da autora e as capas de cada um deles. É importante ressaltar que suas séries sempre tiveram como alvo as adolescentes mais velhas e sua arte minimalista se adequa bem a esse público. É possível ver um pouco da arte da autora e deixar recados para ela na sua página oficial que tem versão em inglês.

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O sucesso de Nodame é tão grande que em 16 de outubro estreou o dorama - novela - da série na Fuji TV, ocupando o chamado Getsuku, isto é Getsuyoubi 9ji, Nove horas da noite de segunda-feira. É o horário nobre de novelas no Japão e foi uma surpresa vê-lo ocupado por uma dramédia. Eu não levava fé, mas o elenco tem dado um show e é um prazer assistir todos os episódios, com legendas ou sem! A fidelidade tem sido muito grande e a interpretação dos atores e atrizes muito feliz. Destaque para a música, os recursos de mangá e anime utilizados e o figurino de Nodame. O legal é que não pára por aí. Foi criada a Orquestra Nodame com jovens músicos e seu primeiro (*E último? Duvido!*) conseguiu ficar muito bem colocado no top 10 da Oricon, ocupando um inédito 7º lugar na semana de 15 de novembro de 2006. É a melhor colocação que um CD de música clássica já conseguiu!

Se já não fosse bom ter um dorama, a edição #18 da revista Kiss anunciou que vai haver anime estreando em janeiro de 2007. O diretor será Kenichi Kasai, o mesmo de Honey & Clover, o que já dá segurança e quase certeza de qualidade, e a série vai integrar o bloco Noitama, que é voltado para o público feminino mais velho, da TV Fuji. O bloco Noitanima já foi ocupado por Paradise Kiss, Honey And Clover e Nodame: Elenco até dezembro deve exibir Hataraki Man de Moyoco Ano, que é seinen, mas poderia ser josei sem problema. Aguardo ansiosamente pelo anime, o bloco Noitanima tem oferecido animação com muita qualidade, vamos ver o que farão com Nodame. Como os japoneses não brincam em serviço, para lucrar mais com a série foi criado o Café Nodame. Ele abriu em 16 de outubro de 2006, quando o dorama estreou, e fechará suas portas em 25 de dezembro quando o último episódio for ao ar. Toda segunda-feira um dos músicos da Orquestra Nodame se apresenta no Café e as comidas que aparecem no dorama serão vendidos no restaurante. Tudo vira produto no Japão e sempre é possível ganhar mais e mais dinheiro com uma série.

Mangá... Orquestra... Dorama... Café... e vídeo game, claro! Pois é em 2007 teremos um jogo de Nodame Cantabile para Nintendo portátil (NDS) Não me perguntem como esse jogo será, possivelmente deve ser etilo RPG como o de Nana... se bem que com Nodame tudo é possivel. Como o anime sai em janeiro, acho que muita coisa de Nodame ainda será produzida. Uma delas, com certeza, é o anime favorito de Nodame, Purin Gorota, que lembra muito o traço do Gênio Maluco. podem esperar!

Nodame Cantabile poderia fazer sucesso no Brasil? Sinceramente, não sei. Credenciais o mangá tem para chamar a atenção e não foi a toa que a Del Rey o licenciou rapidinho nos EUA. Aqui no Brasil, precisamos de mangás diferentes, que fujam dos clichês, e Nodame serviria bem a esse objetivo. Tavez o sucesso de Nodame no exterior faça crescer os olhos das editoras brasileiras... Nunca se sabe, não é? Só que lançado de qualquer jeito e sem propaganda, certamente não daria o retorno que poderia. Bem, como a esperança é a última que morre, torço para que as editoras do Brasil acordem.



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Webmistress: Valéria "Utena-sama" - 28/07/2005


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