Oniisama E...
Oniisama E... (Meu querido irmão) é,
além da Rosa de Versalhes, a única obra de Ryoko Ikeda
a ter sido tranformada em anime.
A história é um drama intimista e perturbador que aborda sem rodeios mas com muita elegância temas como lesbianismo,
incesto, uso de drogas e
suicídio juvenil. Assim, posso afirmar que é uma história muito
mais adulta e densa do que
A Rosa de Versalhes, sendo certamente nada indicada
para audiências muito jovens. Não se trata, entretanto, de uma história
carregada de sexo e violência gráfica,
muito longe disso até, é uma obra sóbria, com um character design, pelo menos no
anime, muito realista. Aliás,
representa uma das obras mais maduras da dupla Osamu Dezaki (Diretor da segunda fase
do seriado da Rosa de Versalhes)
e Akio Sugino, responsáveis por toda a série de Ace Wo Nerae.
O mangá de Oniisama E foi publicado em 1975, em uma das revistas da Editora Sueisha,
originalmente em três volumes. Ainda colhendo os
frutos da Rosa de Versalhes e já tendo abordado o tema do
lesbianismo em Claudine, história trágica em 1 volume, Ryoko Ikeda
apresenta um character design muito próximo
da Rosa de Versalhes, mas com possíveis influências estéticas do mangá de Ace Wo Nerae.
O anime, de 1991, tem 39 episódios, e aprofundou a
história de Ikeda, dando "explicações" para algumas questões que o mangá não respondia, expondo a psicologia das personagens e suas motivações.
Na série animada, Dezaki e Sugino,
aumentaram ainda mais as semelhanças de character design entre Dear Brother e Ace Wo Nerae de tal maneira que parecia que as
"mesmas atrizes" tinham sido convidadas a estrelar uma outra história.
O Básico da História - Com Muitos Spoilers
Nanaka Misoono é uma menina de 16 anos que acabou de ser admitida no 1º ano do Ensino Médio, junto com sua amiga de infância Tomoko, em uma
exclusiva escola particular, a Academia Seiran (Algo como Academia da Orquídea Azul).
Enquanto fazia o cursinho preparatório (algo muito comum no Japão), Nanako simpatiza muito com seu jovem professor e,
vencendo a timidez, lhe pergunta se ele aceitaria ser seu irmão mais velho (oniisama) e trocar cartas com ela, mesmo depois que o curso terminasse.
O rapaz aceita um tanto constrangido, até porque ele realmente era de certa forma,como se revelaria depois,
o "oniisama"
da menina. Assim, Nanako
inicia um diário em forma de cartas contando seu dia-a-dia nesta nova fase de sua vida.
No seu primeiro dia rumo à escola, Nanako fica fascinada com um belo rapaz que estava no
mesmo vagão de metrô, como
a descida na estação da escola é meio brusca, o rapaz ampara Nanako... só que o rapaz na
verdade era uma moça e estuda na mesma escola
que a menina. Em Seiran, um dos privilégios das alunas era não usar uniformes (algo raro
no Japão) e chegando em sua nova escola
Nanako acaba tomando contato com as três alunas mais "importantes" do lugar: Rei Asaka
(o "rapaz" do trem),
conhecida por Saint-Just; Fukiko Ichinomiya, presidente do corpo de alunas e da Irmandade,
é chamada de Miya-sama; e Kaoru,
moça atlética e meio
tomboy que por motivos de saúde
teve que repetir o primeiro ano. Essas três jovens mulheres vão impressionar e
mudar a vida de Nanako.
Nanako tem uma colega de turma chamada Mariko. Mariko é uma menina muito bonita e
também muito estranha: usa as unhas pintadas de vermelho,
morde seus lábios para que eles pareçam sempre rosados, tem aversão por homens,
tem fixação romântica por Kaoru (que é da mesma turma que elas), e deseja
ardentemente entrar para a Irmandade. A Irmandade é um grupo seleto de alunas, como um clube, que possui uma série de privilégios, como
se fossem a casta superior da escola, ou uma espécie de nobreza, presidida por uma rainha, Miya-sama.
Todos os anos são escolhidas 10 alunas das 150 calouras do 2º grau. Mariko que estuda desde o
jardim de infância e quer ser escolhida, como se afeiçoa de maneira
possessiva à Nanako (Ela tenta inclusive acabar com sua amizade por Tomoko),
quer que ela também seja escolhida, o que seria uma
grande honra. Mas Nanako é novata e além disso, muito tímida para
tentar parecer "digna" de um lugar na Irmandade.
Uma outra moça da turma de Mariko e Nanako, Misaki acha que a vaga já é sua...
No dia que Miya-sama comunica as escolhidas da turma de Nanako: Kaoru, Mariko e
a própria Nanako. Kaoru é contra a Irmandade, mas
para evitar um desgaste maior com Miya-sama, que sabe de suas opiniões, declina da
indicação argumentando motivos de saúde. Mariko está nas nuvens e Nanako
não sabe bem o que sente a respeito. Misaki questiona a escolha das duas e é duramente
repreendida
por Miya-sama, que é seu ídolo.
Não tendo como reclamar diretamente, a menina começa uma campanha contra Nanako e Mariko,
pois a primeira seria filha de uma mãe
solteira que teria (Essa é a acusação de Misaki) abandonado filho pequeno e esposa por ela,
e a segunda seria filha de um
escritor de livros pornográficos.
Duas maçãs
podres e indignas de pertencerem a tão seleto grupo.
Nanako não sabia do passado da mãe e se sente humilhada e deprimida. Mal poderia
imaginar ela que seu "oniisama" é na verdade o filho de seu pai adotivo...
Além disso, Mariko começa a armar para monopolizar sua amizade, fazendo com que Tomoko
se sinta rejeitada por não estar no mesmo nível da amiga, já que não foi escolhida
para a Irmandade. Como Misaki prossegue em sua campanha contra Nanako,
alvo mais fácil do que Mariko já que não conhece as redes e conexões entre as alunas da
escola.
Ela Tenta inclusive fazê-la perder a
entrevista de admissão a Irmandade, ligando e se fazendo passar por Miya-sama que
diz que ela deveria
estar no prédio da Irmandade uma hora depois do horário previamente combinado.
Rejeitada pelas outras alunas, que acreditam que ela roubou o lugar de Misaki usando de
algum artifício vil e tendo
sua vida familiar exposta ao escárnio público, a menina se sente tem vontade de fugir. Ao sair em corrida desabalada da sala de aula, esbarra novamente em Saint-Just e a derruba. A moça parece muito fragilizada e
precisa tomar suas pílulas. Na verdade, Saint-Just é viciada em tranqüilizantes e "outras" drogas...
Nanako parece fascinada por Saint-Just e começa a se apaixonar por ela. Seus encontros casuais se tornam mais freqüentes,
principalmente a partir do momento em que Nanako busca refúgio na torre do relógio da escola,
não sabendo que este é o lugar favorito de
Saint-Just. Saint-Just para Nanako é uma incógnita, apesar de bonita, inteligente, admirada por
todas as alunas, ela é depressiva e alimenta uma subserviência absurda em
relação à
Miya-sama que não perde a
oportunidade de humilhá-la e mesmo machucá-la.
Nanako termina por se envolver com a Irmandade e passa a venerar Miya-sama.
Mariko fica cada vez mais possessiva em relação à amizade de
Nanako mas ela consegue reatar sua amizade de infância com Tomoko. Com o passar do tempo,
Nanako começa a descobrir coisas que não poderia imaginar ...
Quando gazetava aula com Saint-Just (as duas acabam parecendo um casal de namoradas... Namoro japonês, vejam bem), acabam encontrando com o irmão de Miya-sama que adverte Saint-Just para
que não arraste Nanako em suas loucuras...
O irmão de Miya-sama, que depois Nanaka reencontraria em um festival universitário
em companhia de seu "oniisama", a trata por irmã mais nova!
Saint-Just é, na verdade, meio-irmã de Miya-sama, e mesmo assim essa se mostra muito
cruel em relação a ela. Aliás, Miya é muito cruel com várias pessoas, e Nanako cedo percebe
que pode ser vítima das caprichos da "grande dama" da escola,
pois numa noite ela a convida para ir sozinha ao prédio da Irmandade e
lhe pede que pare de escrever para seu "oniisama" e dedique seu amor somente a ela...
Miya se diz apaixonada por Nanako e
tenta agarrá-la. Nanako se assusta e Saint-Just invade o recinto. Miya-sama vai embora
ignorando a garota
aterrorizada e Saint-Just que depois da saída da irmã, agarra Nanako e beija a orelha
que Miya beijou. Nanako fica assustada com o caráter doentio
da relação entre as duas irmãs.
Não pensem no entanto que Miya ama Nanako,
ela simplesmente
quer afastar uma concorrente, pois pensa que a menina é namorada de Takehito, o "oniisama" de
Nanako, e grande
paixão da moça desde o início da adolescência. Só que Takehito, que é amigo do irmão de Miya e
Saint-Just, ama outra pessoa, que não é Nanako... Takehito, como amigo do irmão de Miya, acaba
conhecendo o apartamento onde mora Saint-Just e como Kaoru é a melhor amiga da atormentada moça,
acaba a conhecendo também. Contra todas as espectativas, daqueles que ligam
para estereótipos, Kaoru e Takehito se apaixonam. Só que Kaoru descobre que tem câncer de mama (Um exagero, na verdade, já que ela é adolescente. No anime sua
doença vira problema cardíaco) e se afasta dele, prometendo que se depois do tratamento o problema não retornasse em 5 anos, talvez
os dois tivessem algum futuro.
As coisas estavam nesse pé, com Nanako mais do que disposta a sair da Irmandade, quando
Mariko, ofendida por Misaki novamente, a esfaqueia usando uma
espátula. Mariko foge, pensa em morrer mas é encontrada vagando pelo irmão de Miya-sama,
que desde o festival universitário estava apaixonado por ela. Mariko é sumariamente expulsa
da Irmandade e
Nanako apresenta sua desistência também. Kaoru, que sempre fora contra a existência de grupo
tão discriminatório, decide por fim à Irmandade e para isso pede a ajuda de Saint-Just que
se recusa
a enfrentar sua querida irmã. Afinal, não existe nada no mundo que Miya mais ame, por fim à Irmandade seria retirar
parte da sua dignidade, do seu orgulho.
Em uma assembléia com todas as alunas, Kaoru propõe
a extinção da Irmandade. Miya-sama fica lívida e reage com violência. A assembléia
vira uma balbúrdia e Miya tenta impôr sua autoridade.
Ela diz que a Irmandade é uma nobre instituição, uma tradição e que nem as alunas,
nem os professores, nem a direção aprovariam sua extinção. Kaoru parece perder
terreno mas eis que surge Saint-Just que
discursa contra a desigualdade e desqualifica Miya-sama, pois como presidente da
Irmandade não poderia presidir uma assembléia que votasse sua exinção.
O clima de Revolução está no ar. Como a assembléia não
dissolve a Irmandade, Kaoru começa um abaixo-assinado ajudada por Nanako (que
soubera recentemente que Mariko ficaria suspensa por três meses), Tomoko, uma
menina que tinha sido expulsa injustamente da Irmandade, além de outras insatisfeitas.
É nessa parte da série que Nanako ganha mais força e segurança. Miya permanece
impassível, as alunas seniors membros da Irmandade começam a se preocupar, porque
até membros da Irmandade estão assinando a petição, e conspirar contra sua presidente.
Querem
descobrir seus pontos fracos... e a admissão de Nanako volta a ser questionada... Como as
jovens estão preocupadíssimas com a perda de seus privilégios, decidem usar de
todos os meios para "descobrir a verdade". Miya-sama descobre a traição que se arma às
suas costas e, sem perder a fleuma, durante uma reunião da Irmandade, conclama as
traidoras, sem citar nomes, a apresentarem seu pedido de desligamento.
As moças decidem pressionar Nanako e quase provocam a morte da menina. Acuadas, elas se
retiram da Irmandade e decidem assinar a petição, e mais do que isso, fazer campanha
contra a Irmandade.
Afinal, se o navio está afundando, porque ir junto com o capitão? Miya está só,
convoca uma reunião da Irmandade mas ninguém comparece, a não ser suas "inimigas"
(Saint-Just, Kaoru, Nanako, etc) que demonstram alguma solidariedade.
A partir de então os eventos se precipitam, a verdade sobre o relacionamento de
Miya e Saint-Just vem a tona. Elas não são meio-irmãs, são ambas filhas de uma
amante mas somente Miya foi "adotada" formalmente pela família.
Sentindo-se
rejeitada e diminuída, entretanto,
ela
acaba convencendo Saint-Just a estudar em Seiran, somente para ter a quem desprezar.
Saint-Just já tinha tentado o suicídio por amor a Miya antes e dessa vez, tomada pelo
desespero de ter sido enganada (Ela pensava que Miya a queria por perto por amá-la),
tenta novamente... e consegue. A dor da perda de Rei aproxima todos.
Takehito pede Kaoru em casamento e a moça aceita.
O rapaz que não via o pai desde a infância, vai até ele para fazer um pedido.
Como o Professsor Misoono era muito
respeitado no meio acadêmico, ele poderia lhe conseguir uma bolsa de aperfeiçoamento
em outro país.
Esclarece-se a questão familiar: o professor Misoono não abandonou a família, sua
esposa é que foi embora com o filho, e ele conheceu a mãe de Nanako somente depois.
Kaoru e Takehito se casam e partem para a Alemanha. A Irmandade tinha sido desfeita.
Miya parece se sentir melhor em relação ao suicídio de Saint-Just. Já Nanako sente
falta dela
e continua escrevendo para o seu "oniisama".
Mangá X Anime
O mangá e o anime de "Dear Brother" apresentam sensíveis diferenças.
A primeira delas em virtude do tamanho. Enquanto o mangá
tem somente três volumes no original
(e dois na reencadernação que eu encomendei),
o anime tem 39 episódios e por isso tem a chance de aprofundar questões não abordadas na obra
original de Ikeda. Além disso,
Dezaki e Sugino usam e abusam (com resultado excelente) dos simbolismos. Magnífico de se ver.
Uma outra diferença é o character design, mesmo mantendo o estilo de Ikeda,
o anime segue a grife lançada em Ace Wo Nerae e as personagens
parecem menos
esbeltas e jovens do que no mangá. Na verdade, todas, à exceção das calouras, parecem
muito mais velhas, com o acréscimo de
Kaoru e Saint-Just parecerem muito mais masculinizadas.
Kaoru e, principalmente, Saint Just tem uma aparência bem hippie no mangá. Trocam de roupa
com freqüência e não são tão sóbrias quanto no anime. Saint Just no anime toca piano o
que lhe confere um ar mais clássico e romântico, já no mangá seu instrumento é o violão e imagino que
a música por ela tocada deveria ser o rock-and-roll e não música erudita. Fora isso, a moça não é tão
depressiva no mangá e é bem mais atlética também. Além disso, a sugestão de excessiva intimidade
física entre Saint Just e Kaoru não existe no mangá de Ikeda.
Miya-sama tem sua personalidade muito melhor desenvolvida no anime. Suas
motivações e seu relacionamento com Takehito ficam muito claros, no entanto,
o anime é muito complacente com relação ao mal que ela causa a Saint-Just, mostrando-a
arrependida e praticamente a absolvendo maltratado tanto a irmã. No mangá é sua crueldade
que conduz Saint Just ao suicídio.
A amizade de Nanako e Tomoko é resgatada no anime, sendo que as duas acabam
formando uma espécie
de trio com Mariko. Já no mangá, o dano causado pelo egoísmo da atormentada Mariko é irreversível
e as amigas de infância terminam se afastando definitivamente.
O humor sempre presente nos trabalhos de Ikeda, é totalmente suprimido.
O anime de "Dear Brother" é sóbrio e denso em praticamente 100% de
suas cenas. Sem espaço para piadinhas e caricaturas das personagens.
O fim da série animada é bem diferente do mangá. Depois do suicídio de Saint Just, que no
anime é somente um "acidente", Ikeda mantém o tom
trágico com a morte de Kaoru dois anos depois do casamento, já Osamu Dezaki
faz a moça se recuperar e inclusive ter um bebê. Além disso, Nanako também arranja
um namorado, curando as feridas de seu relacionamento com Saint-Just, ou seja,
seu lesbianismo
era de ocasião, uma experiência rumo de crescimento típica das meninas japonesas.
Oniisama E... e Outras Obras
Dear Brother sofre a influência estética de outras obras, sendo as principais
Ace Wo Nerae
e A Rosa de Versalhes. Como tanto os animes quanto
os mangás tem uma espécie de autoria cruzada já que Ikeda é autora dos mangás
da Rosa e de Dear Brother; Osamu Dezaki foi o diretor
parcial da
Rosa e total de Dear Brother; e
Dezaki e Sugino foram foram as mentes por trás dos animes de
Ace wo Nerae e
de Dear Brother, não poderia ser diferente.
Com Ace Wo Nerae, em especial a segunda série,
Dear Brother tem em comum o character design realista e pontos de toque na construção
das personagens e na história. Por exemplo, a torre do relógio
é refúgio tanto de Hiromi quanto de Nanako, ambas tem uma
melhor amiga de infância, Maki no caso de Hiromi e Tomoko no caso de Nanako.
Tanto Hiromi, quanto Nanako, tiram o lugar de alguém que se achava imbatível.
Hiromi fica com a vaga de Kyoko Otowa na equipe principal de tênis e Nanako
com a vaga de Misaki na Irmandade. Tanto Otowa quanto Misaki tem um tipo físico
parecido e vão perseguir as protagonistas durante boa parte da história. Miya-sama
e Reika Riyuzaki
são muito parecidas tanto no físico (louras de longos cachos) quanto na personalidade
(elegantes, educadas, verdadeiras damas). Claro que estão dentro do estereótipo da
antagonista perfeita
que se faz presente em tantas obras (Izumi em Princess Nine,
Ayumi em Glass Mask, e, o que me ocorreu recentemente,
Juri principalmente
na versão mangá de Shoujo Kakumei Utena.),
principalmente quando a protagonista é a menina (morena) comum. O que
diferencia Miya-sama e Ochifujin (outra semelhança, as duas são normalmente
referidas por apelido),
entretanto é o fato de Reika não ser cruel e esnobe como Miya aparenta ser na
maioria do tempo.
Já com a Rosa de Versalhes as semelhanças são
mais sutis.
Kaoru, por exemplo, lembra muito André, principalmente no rosto e no corte de cabelo.
Já Saint-Just tem seu apelido tirado de
uma personagem da Revolução Francesa que aparece na Rosa
e sua aparência
é um misto de Oscar e do Saint-Just de Ikeda. Saint-Just também aparece usando um
bracelete, que cobre a cicatriz da tentativa de suicídio,
idêntico ao que André usa em uma das ilustrções do mangá
de Ikeda. A Revolução Francesa
também é evocada em Dear Brother novamente quando da campanha contra a Irmandade.
As
motivações de Kaoru e o discurso de Saint-Just na assembléia das alunas
se aproximam muito daqueles usados às vésperas da Revolução e a Irmandade
acaba sendo apresentada como um simulacro da nobreza francesa decadente.
Isso é tão forte que nos capítulos finais cresce a identificação entre Miya e
Maria Antonieta (ambas
louras, aliás), o que é confirmado pela cena da reunião final quando Miya se
curva diante de Kaoru e suas aliadas, assim como Antonieta se cruvou diante do povo.
O penteado de Antonieta nessa
cena do anime/mangá da Rosa é idêntico ao usado
por Miya ba série de TV, ou seja, naquele momento Antonieta e ela ficaram iguais.
Considerações Finais
Oniisama E... fala do processo de amadurecimento de uma menina e seus traumas,
de transgressão, do direito de escolha, da hipocrisia presente nas relações sociais.
Não é uma obra de fácil digestão e certamente
não agradaria aqueles que pensam que anime e mangá é só pancadaria e fanservice, ou acham
que shoujo é sinônimo de obras como Sakura e Sailor Moon. Oniisama E... é um trabalho refinado,
direcionado a audiências maduras e polêmico, mas
nem por isso é uma obra pedante. Sua trajetória fora do Japão ilustra bem isso.
Comprado na esteira do sucesso da Rosa de Versalhes
(obra muito mais leve),
na França (Ma Cher Frère) foi exibido somente
até o 5º episódio por ser consideradoinadequado, já na Itália
(A mio Fratello
ou Caro Fratello), o
mangá foi publicado e o anime está sendo reexibido, em um canal a cabo,
agora na íntegra, pois na sua primeira exibição foi suspenso no episódio 28 (Mariko esfaqueia
Misaki, Miya tenta agarrar Nanako, etc.).
Não é só no Brasil que as emissoras acreditam que anime é coisa de criança...
Oniisama E... estava sendo legendado pelas
Technogirls que estão
fazendo um trabalho primoroso. Eu acabei de assistir a antipenúltima fita e estava
esperando que elas legendassem os últimos 5 capítulos para pedir o resto. No Brasil,
as três primeiras fitas do anime podem ser encomendadas no AnimeGaiden.
Com a demora das TechnoGirls em terminar de lançar a série, outros grupos colocaram a mão na massa e terminaram de
fazer o trabalho. Assim, os últimos cinco episódios e mesmo os outros feitos pelas Technogirls podem
ser achados para download na net. Já o mangá, está (ou estava) sendo traduzido pelo
pessoal do Lililicious e deve ser possível
pegar os três capítulos lançados usando o Mirc ou na própria página do grupo.
Cabe aqui também um agradecimento especial ao meu amigo Marcelo D'Andrea que mgentilmente gravou os
episódios de 13 ao 28 para mim e me apresentou o fansuber das
Technogirls.
Sem a ajuda dele, certamente seria muito difícil ter assistido o tanto que eu já
assisti dessa série maravilhosa.
Na minha seção de links existem duas páginas sobre Dear
Brother, ambas excelentes, e o melhor, uma delas em português.