O título Ouke no Monshou é traduzido, nas poucas páginas
que tratam da série, como "O Emblema da Família Real" - tradução mais próxima do original - ou, o que é mais comum, como
"A Filha do Nilo", nome pelo qual a protagonista é conheccida entre os egípcios. Mangá desconhecido no Ocidente, é um sucesso
de público e vendas no
Japão, onde seu #49 volume ficou entre os dez mais vendidos na semana de seu lançamento. Detalhe: a
série sai há 30 anos na revista Princess, a mesma que publica Eroica.
Confesso que quando tomei conhecimento do mangá,
torci o nariz tanto para a trama rocambolesca como para a arte da autora,
mas, depois, percebi que além de estranha, ela é muito, muito bonita. Alé disso, ficou claro para mim
que um dos seus objetivos seria aproximar o desenho das personagens,
das pinturas egípcias tradicionais, coisa que ela consegue plenamente. Para tirar a teima, sugiro uma visita ao
melhor site sobre a série, o Daughter of Nile, que
possui várias galerias com a a arte do mangá de Chieko Hosokawa.
Ouke no Monshou tem uma trama com todos aqueles ingredientes básicos dos filmes mudos de Rodolfo Valentino
e que são mantidos
pelos romances baratos de banca de jornal até hoje. Então vejamos, temos a rica herdeira,
Carol, apaixonada por arqueologia, e que está
estudando no Egito e uma maldição
milenar, com direito a uma múmia sedenta de vingança - a esposa-irmã de um jovem faraó, chamada Aishisu ou Isís em outras páginas.
A rainha deseja destruir a vida de Carol, depois que a moça acidentalmente a acorda de seu sono.
A partir daí temos nossa heroína viajando inexplicavelmente no tempo e indo parar no Egito dos Faraós.
A primeira viagem é assustadora para a menina que quase termina sendo sacrificada (até onde sei, não existe
registro de sacrifícios humanos entre os egípcios)
pela cruel Aishisu que, ao que parece,
exerce o papel de suprema sacerdotisa (de Amon?), cargo que a esposa do "deus" (o faraó) ocupava com regularidade.
Carol escapa e retorna a seu tempo, mas Aishisu a persegue e
pequenas desgraças começam a acontecer. Por exemplo, Carol é picada por uma serpente e resiste,
mas seu pai não tem a mesma sorte.
De volta ao Egito, a moça, que se esconde entre os escravos (hebreus?) e tenta esconder sua pele
alva e louros cabelos, passa a ser vista como uma enviada dos deuses, a "Filha do Nilo", e desperta a cobiça do faraó,
Mênphis.
O jovem
monarca é visivelmente inspirado no faraó-menino Tutancamon (**com um pouco de Ramsés II**), e também está condenado a morrer jovem.
Talvez Carol possa impedir isso,
talvez possa ser a responsável pela tragédia. Por via das dúvidas, Aishisu quer matá-la.
E ela não brinca em serviço, pois
assassina a sangue frio outra concorrente, uma princesa hitita que iria se casar com Mênphis o que pode provocar uma guerra.
Para quem não sabe, durante o Novo
Império, os Hititas - um dos povos mais interessantes da época - foram os grandes adversários dos egípcios.
Só que Carol,nossa heroína, é extremamente corajosa e inteligente, além de bonita, gentil e loura, claro.
Logo, para sua sorte ou azar, consegue capturar o coração de todos as cabeças coroadas da época, em
especial o do faraó, Menphis, e do soberano dos Hititas, Izumiru.
Por causa disso, a moça é seqüestrada várias vezes, e viaja por todo o mundo antigo do Reino dos
Hititas,
até Creta, passando pela Assíria e pela Babilônia.Fora as andanças pela Antigüidade, vez por outra, Carol retorna ao presente, mas suas visitas acabam provocando tragédias para a sua família,
que passa a achar que a menina está enlouquecendo. Ah, Carol começa a se apaixonar por Mênphis, que por causa dela,
começa a abandonar suas reações violentas.
Enfim, a autora, Hosokawa Chieko, continua mantendo as pessoas
interessadas,
conseguindo que cada novo volume do seu mangá consiga aparecer na lista dos mais vendidos, mesmo sem anime, live
action ou um traço moderno. E a história não aponta para um final... talvez fique mesmo inacabada. É preciso, portanto,
ter muito do que falar e talento para cativar gerações de leitores. Ah, um dos pontos altos da autora é a narrativa extremamente dinâmica.
Ela consegue fazer
com que seus quadrinhos pareçam um filme com uma seqüência de cenas fotografadas. Olhando o primeiro volume, fiquei encantada,
porque não é sempre que alguém consegue
fazer isso.
Infelizmente, Ouke no Monshou, que pode ser apontado como um dos ancestrais mais bem sucedidos de séries como
Fushigi Yuugi e Anatolia Story, não parece ter despertado o
interesse de nenhum grupo de fãs da net. Também não parece ser um mangá candidato ao licenciamento no Ocidente, aliás, não existe
nenhuma página Italiana sobre a obra, o que sinaliza o quão obscuro ele é.
Só que a obra parece ser tão empolgante
visualmente, às vezes fico me roendo por não poder ler. E agora uma novidade legal, há uma página mais que completa de Ouke no
Monshou em português. Trata-se da Filha do Nilo
que entrou no ar em dezembro de 2006.
Como a esperança é a última que morre,
quem sabe os trinta anos (1975-2005)
não nos tragam uma série de tv? Seria muito legal ver as aventuras de Carol em anime. Eu ficaria muito feliz. Tomara que
o novo anime
de Glass Mask seja um sucesso e abra caminho para o de Ouke no Monshou. ^_^