
Personagens 

Vou tentar apresentar em linhas gerais todas as personagens da Rosa de Versalhes. Minha prioridade
vai ser o mangá e sempre que houver conflito com o anime, ou explicarei, ou remeterei para a seção
na qual comento essas questões. Estarei colocando as personagens por ordem de importância... ou seja,
as que eu gosto mais vem antes, as que eu não gosto no fim junto com as que eu escanear por último.
Depois do nome de toda personagem histórica eu colocarei esse sinal [*] para distinguir das criadas por Ryoko
Ikeda. Como fui eu que tive o trabalho de escanear e tratar as imagens, autorizo a pegarem todas elas, só o
uso do texto é que deve ser feito mediante autorização.
Oscar François de Jarjayes (25/12/1755-14/07/1789): a protagonista da história.
Seu pai, o General de Jarjayes, cansado de esperar o nascimento de
um filho homem, decide que a menina será criada como
seu herdeiro e dara seguimento à tradição militar e nome da família.
Aos quatorze anos é escolhida
como comandante dos guardas reais que zelariam pela segurança da futura rainha, a delfina
Maria Antonieta (AnimeXMangá). Oscar é corajosa, inteligente, decidida
e tem um
grande senso de justiça. Além disso é dona de uma beleza
que consegue atrair a atenção tanto de homens (André, Gereodel, Allain, ...) quanto
mulheres (Charlotte, Rosalie, Sophie, ...). No mangá, Oscar também tem senso de humor... algo que lhe foi
quase completamente retirado na série animada. Fora isso, é comum vê-la bebendo (é até repreendida pela ama) e freqüentando tavernas, onde,
não raramente, se mete em uma boa briga.
Durante muito tempo será atormentada por uma paixão impossível, até
que finalmente percebe que a felicidade pode estar ao alcance da sua mão, desde que seja capaz de enfrentar
os preconceitos de sua época. Entra em conflito direto com o pai, ao decidir abandonar a Guarda Real e juntar-se
a um destacamento do exército comum, os Guardas de França. Diante da rebeldia e do envolvimento
de Oscar com as idéias iluministas, o pai se arrepende de haver desviado a filha de seu
"papel natural" e decide casá-la. Obviamente, Oscar não se dobra. Apesar de estimar muito a rainha, acaba aderindo à Revolução Francesa.
André Grandier (02/05/1754-13/07/1789): Amigo de infância de Oscar, é neto de Marron Glacê, a ama da moça.
Foi enviado à residência dos Jarjayes para ser companheiro de
brinquedos da delicada (de acordo com sua avó, claro) filha do General, só que
o que encontra um companheiro de jogos, correrias e lutas de espada. Depois de crescidos,
André acaba se descobrindo completamente apaixonado pela moça.
Sempre ao lado de Oscar como uma sombra fiel,
faz de tudo para ajudá-la e protegê-la dos perigos. Em uma
dessas ocasiões, acaba sendo ferido, perdendo a visão de um dos olhos. Com o tempo, seu
problema se agrava, e termina ficando cego.
O André no anime
é mais decidido e
amargurado pela imensa diferença social que o separa de Oscar, afinal, ela é nobre e ele plebeu.
Na série animada, é André que se envolve com os ideais revolucionários; já
no mangá, onde André tem um comportamento bem servil,
é Oscar que acaba conscientizando o rapaz. André, no mangá, começa como uma personagem de
pouca importância, sempre falando alguma bobagem, mas vai crescendo e amadurecendo até se tornar ele
também um dos protagonistas da Rosa de Versalhes.
Maria Antonieta (02/11/1755-16/10/1793)[*]:
A trágica rainha da França pode ser considerada é a co-protagonista da Rosa de Versalhes, e
boa parte do primeiro e do último volume do mangá se centram em Antonieta. Caçula das filhas
da Imperatriz
Maria Teresa da Áustria, sua chegada ao mundo foi marcada por maus presságios. Nascida no mesmo
02
de novembro (Dia de Finados aqui no Brasil) do terrível terremoto de Lisboa, não pode contar com a presença de seus
padrinhos, o Rei e a Rainha de Portugal, em seu batismo. Também sua escolha para esposa do príncipe herdeiro da França se
deu por uma troca, já que sua irmã, que era a primeira noiva prometida, morreu de varíola. Para ser aceita como
futura rainha da França teve que mudar de nome, abrir mão de seus títulos austríacos, do direito ao trono de seu país,
de sua língua e nunca mais voltou a ver sua terra natal.
A Antonieta de Ikeda começa a história como
uma menina cheia de vida e de sonhos, incapaz de ocupar o posto que lhe caíra sobre os ombros.
Seu casamento, aos
14 anos, a coloca no centro da mais importante corte da Europa. Tão logo chega à França, é envolvida em uma
rede de intrigas que a colocam em guerra aberta contra a mulher mais importante
de Versailles até aquele momento, a amante do rei Luís XV, avô de seu marido. Antonieta acaba sofrendo
a sua primeira derrota, ao ter,
por ordem expressa do rei, que dirigir a palavra à cortesã.
Sufocada pela rígida etiqueta da corte,
não consegue assumir o papel central que dela esperam, terminando
enredada por pessoas gananciosas, como Madame Polignac.
A rainha termina preenchendo seu tempo com frivolidades. O escândalo do colar, seu desinteresse
pelos eventos obrigatórios de Versalhes, os imensos gastos com
a corte "paralela" do Trianon - conhecido como Templo do Amor - e seus amigos interesseiros, terminam por desgastá-la
tanto com o povo comum, quanto com a nobreza, e mesmo o seu pendor para a caridade acaba sendo eclipsado.
Tal situação só se vai agravando devido ao desinteresse sexual do marido
e à paixão impossível pelo Conde Fersen. Mesmo
o nascimento de seus filhos não a faz refletir sobre algumas de suas atitudes.
De princesa
amada pelo povo, Antonieta se torna odiada; e prossegue na sua vida desgovernada, dispensando
os bons conselhos de pessoas como Oscar, até terminar na guilhotina. Mesmo assim, é inegável a sua coragem em momentos decisivos,
como na invasão de Versailles pelos populares. A impressão causada por sua atitude em momentos de crise foi tamanha que um dos
seus adversários, Mirabeau, deixou escrito um "elogio" dizendo que
"... ela (Antonieta) era o único 'homem' no palácio.".
Hans-Axel von Fersen (04/09/1755-20/06/1810)[*]: Nobre sueco, militar, diplomata e estadista. Na Rosa de Versalhes,
apaixonasse por Antonieta no primeiro encontro. Não se sabe, historicamente,
se a rainha e o conde chegaram a
consumar seu amor, mas na obra de Ikeda, e em outras fontes, o romence dos dois não é questionado.
O Fersen de Ikeda é charmoso e galante, encarnando bem a figura do "princípe encantado" e sua comparação com o desengonçado
Luís XVI o torna ainda mais atraente.
O conde e a rainha (ainda princesa na época) se conheceram em um baile de máscaras (quer coisa mais romântica do que isso?),
em uma das escapadelas da futura soberana, e se apaixonam à primeira vista.
Oscar também cai de amores pelo Conde mas, para seu grande sofrimento, Fersen a vê somente como amiga. O Conde retorna para seu país
para não infamar a, sempre vigiada, Rainha. Só que sua resistência não dura muito e
acaba trocando a Suécia pela França e, no decorrer dos anos,
abrindo mão de vários casamentos vantajosos.
Tentando se afastar de seu amor impossível, se alista para lutar com as tropas francesas
na Revolução Americana. Fersen no mangá é sensato o suficiente para perceber o mal
que a Condessa Polignac causa à rainha e aconselhá-la a ter cuidado com certas amizades.
Quando a Revolução Francesa estoura, não abandona Antonieta, e faz o máximo para
salvar a família real de seu trágico destino. Tendo fracassado no seu intuito,
se engaja em atividades contra-revolucionárias, se deslocando por várias cortes européias.
Teve fim trágico e morreu linchado pelo povo de seu próprio país. Interessante é que Fersen abre e
fecha o mangá com seu nascimento e sua morte. Mesmo que o Fersen histórico
não tenha sido "um homem de uma mulher só", como
sugere a obra de ikeda, também arriscou sua vida e sua honra pela rainha da França. Enfim, Ikeda
só o tornou uma personagem mais ao gosto romântico de suas leitoras, mas não mentiu na sua dedicação sem limites.
