Que Sailor Moon é um grande sucesso sucesso mundial, não há dúvida. Mas
o que esperar de um live action centrado nas personagens de Naoko Takeuchi?
Eu não esperava muito, no entanto, qual não foi minha surpresa, ao
fazer o download do primeiro capítulo em 04 de outubro de 2003!
Apesar dos seus momentos "trash", ou até mesmo por eles, assistir Sailor Moon Live é uma dos
grandes momentos da minha semana.
O seriado de tv, exibido no Japão aos sábdos de 7:30 às 8:00,
segue mais ou menos a história que vemos (ou não vemos... já que não foi publicado no Brasil)
no mangá de Sailor Moon. Usagi Tsukino (Sawai Miyuu) é uma garota comum de 14 anos que, a caminho da escola,
encontra uma gata de pelúcia falante. Enfatizei o comum, pois, ao contrário, do
que é visto, principalmente no anime, Usagi não é burra ou idiota, nem tão pouco chorona. É só uma adolescente normal.
A partir daí, nossa heroína é convocada para se tornar uma guerreira e sua primeira aventura é salvar sua amiga Naru (Molly)
de terríveis Youmas (Malignas). No primeiro episódio vemos também a misteriosa Sailor V (Komatsu Ayaka)
e Tuxedo Mask (Shibue Jouji). Este
último, aliás, me pareceu muito canastrão no início mas depois ganhou minha simpatia. Infelizmente, ele não joga rosas nem tem
sua música característica. No decorrer dos episódios, a Rainha Beryl (Sugimoto Aya) e seus generais vão mostrando a força
do Dark Kingdom.
Logo nos capítulos seguintes, as outras sailors vão aprecendo. Ami Mizuno (Hama Chisaki) já faz uma pontinha no primeiro
episódio. Ela, aliás,
mantém a mesma personalidade e protagoniza excelentes episódios, seja mostrando
como uma menina tímida se sente na adolescência, seja como heroína, ou vilão, já que agora (episódios 20-23) ela está
como "Dark Sailor Mercury". Já Mars, ou melhor, Rei Hino (Kitagawa Keiko) não é a morena sensual (e chata) do anime,
mas a miko (sacerdotisa) séria e dedicada. Aliás, melhor seria dizer reprimida, já que pelo seu históriaco familiar, Rei teve que
amadurecer muito rápido e não se permite fazer coisas que meninas da sua idade fazem. Por sua personalidade,
é com Ami que ela se entrosa melhor, quando finalmente aceita ser Sailor Mars. Já Sailor Júpiter, Kino
Makoto (Azama Myuu), é colocada no live como uma tomboy que acaba ficando muito amiga de Usagi. Ela é solidária,
gentil, e especialista em prendas domésticas em geral... algo muito compreensível, já que é obrigada a
morar sozinhas. A atriz que faz Júpiter também é uma das melhores atrizes da série, sempre expressiva,
seja nos momentos de drama, comédia ou ação.
Sailor V ou Sailor Vênus é um caso a parte. Na série, Aino Minako é uma
idol e todas as meninas da série (mesmo que Rei não queira dar o braço a torcer) são suas fãs.
Na série live, Minako parece ser metida e distante, mas, na verdade, guarda um grande
segredo... Mars é quem acaba se
tornando mais próxima, por força das circunstâncias, da experiente guerreira. No momento, Minako está vivenciando
um grande drama e todas as sailors acreditam que ela é a "Princesa".
O único a ter dúvidas, é Momoru Chiba (Darien), o Tuxedo
Mask, já que em seus sonhos, Minako não parece com sua amada.
Os generais do Dark Kingdom (Jedeite, Neflite, Zyocite e Kunzite, nosso Malachite)
vão aparecendo no decorrer dos capítulos. A série live não se fixa nem no mangá nem no anime para suas personalidades.
Aliás, o visual dos rapazes é extrememente exagerado, até cômico de tão carnavalesco. Durante boa parte da série,
Kunzite (Kubodera Akira) reinou soberano. Ele é o mais poderoso dos generais e tem a Dark Sailor Mercury sob seu controle.
No demais, Zyocite (Endou Yoshito) é o único que parece lembrar de seu mestre Endymion/Mamoru Chiba/Tuxedo Mask.
O que mais dizer sobre Sailor Moon Live? Defeitos? Sim, temos alguns. Houve alguns poucos capítulos (dois, na verdade)
forçados, talvez mal escritos mesmo, já do meio para o final da série perderam tempo com
enrolações que comprometeram um pouco o rítimo geral da história que terminou sendo salva por excelentes
capítulos finais. Outro problema é que mesmo transformadas, é só como Sailors as meninas têm cabelos "exóticos",
elas continuam se tratando pelos nomes comuns...
ou seja,
cobre-se um santo e descobre-se outro. A trilha sonora, também, poderia ser mais incrementada,
afinal, nenhum hit pode substituir Moonlight Densetsu. Já a elogiar, bem, os elogios seriam muitos, mas já dei o tom
na resenha. Talvez, o maior mérito da série tenha sido perceber aquilo que estava errado e mudar no que era possível
e necessário. Por exemplo, a computação gráfica,
que era muito usada nos primeiros episódios, foi praticamente abandonada e os monstros agora usam tradicionais,
e cada vez mais criativas, roupas de borracha.
Um destaque da série, é a tresloucada mãe de Usagi, a excelente
atriz Moriwaka Kaori que sempre dá um show nas cenas nas quais aparece. Fora isso, a escolha das Sailors foi muito feliz, as meninas são boas atrizes,
convencem como as apersonagens e tem uma idade razoável, isto é, parecem adolescentes. Além disso, as Sailors ganharam um
simpático esconderijo na casa de games que eu chamaria de "Batecaverna Cor-de-Rosa".
Só concluindo, eu diria: se tiver a chance de assistir Sailor Moon Live não deixe para depois. Juntando o melhor do
universo das Guerreiras da Lua, sem os vícios irritantes da série de tv, com tramas bem amarradas e personagens convincentes,
a série mostra que Sailor Moon ainda pode render bons frutos
(e, quem sabe, um novo mangá e, com certeza, muitas bugingangas). Aliás, já rendeu uma nova Sailor, pois a gatinha Luna ganhou
forma humana. Aliás, a menininha escolhida é uma fofura. ^_^ Enfim, foram #48 episódios de muita diversão, e corre o boato
de que o sucesso foi suficiente para que tenhamos uma segunda temporada. Acho que não cairia nada mal e eu queria muito
ver as outer seishis - Netuno, Urano, Saturno e Plutão - aparecendo na tela.
Em outras épocas, eu até poderia ter esperança de que a série viesse para as nossas tvs, mas
agora vivemos a ditadura dos Power Rangers e não temos mais nem os
super sentais, nem séries em estilo Patrine para assistir (Saudades da Manchete!). Além disso, o
preconceito contra Sailor Moon em nosso país é imenso... Se não, como explicar o fato de ainda não termos o
mangá por aqui?