Não criei essa seção para passar informações detalhadas sobre o mangá de Sailor
Moon ou as diferenças entre este e o anime, até porque é possível encontrar milhares de páginas especificas sobre essa série.
Meu objetivo é falar um pouco do mangá e, de certa forma,
denunciar a injustiça que tem sido feita em nosso país. Afinal, de todos os grandes hits que passaram nas nossas tvs nos anos 90
(Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Yu Yu Hakushô, Guerreiras Mágicas), Sailor Moon foi
o único que não teve seu mangá no Brasil. Explicações temos várias (o mangá não iria vender, a arte do mangá é ruim,
o anime nunca fez sucesso no Brasil, Naoko Takeuchi proibiu a publicação
do mangá fora do Japão, e por aí vai), nenhuma, entretanto, muito convincente ou fácil de se provar. O fato é que estamos até hoje sem Sailor Moon, série
que já é um clássico, foi publicada e republicada em vários países e virou live action no Japão (2003-2004) para comemorar os seus 10
anos.
Publicado na revista Nakayoshi entre 1992 e 1997, contando com 18 volumes (12 na nova encadernação japonesa),
somando ao todo 52 capítulos, sendo que pequenas histórias fora da linha de eventos mais importante apareciam
publicadas em alguns volumes, como o 11 que é todo de sidestories. Sailor Moon faz parte de um bem sucedido planejamento que
incluia vários produtos relacionados, como animes, quadrinhos e brinquedos. Mesmo que se acredite que a autora prosseguiu com o mangá
para além dos primeiros quatro volumes por causa da pressão em virtude do sucesso da tv, o fato é que
Sailor Moon já nasceu como uma franquia que tinha tudo para funcionar. Naoko Takeuchi, a mãe de Sailor Moon, vinha de alguns
mangás bem sucedidos e estava produzindo a série que serviu de matriz para Sailor Moon: Codename wa Sailor V. A protagonista,
que não é outra se não Sailor Vênus, era publicado, desde 1991, na Run Run (revista para um público ainda mais jovem que a Nakayoshi) e teve ao todo três volumes.
Dentro do mangá de Sailor V algumas personagens de Sailor Moon apareciam de relance ou ao fundo, como já antecipando a nova série
que foi somente em 1997.
Sailor Moon é um típico mahou shoujo e sua história básica é bem conhecida da maioria dos fãs de anime e mangá: Usagi Tsukino (Serena aqui no Brasil) é uma menina de 14 anos, preguiçosa, chorona
e comilona. Fã de Sailor V, é
uma aluna fraca e sem muito interesse pelos estudos. Num belo dia ela encontra uma gata preta que tem o símbolo da lua na testa e, a partir daí,
sua vida começa a mudar, pois a menina passa a se transformar em Sailor Moon, a guerreira que luta pelo amor e pela justiça usando um uniforme
colegial estilizado (o seera-fuku). Ela conhece o misterioso Tuxedo Mask e enfrenta inimigos poderosos que podem destruir a paz do mundo. Na primeira fase do mangá, encontra uma a uma das suas companheiras (Mercúrio, Marte, Júpiter e, por fim, Vênus)
e juntas elas vão relembrando de eventos de suas vidas passadas. A série de mangá segue as fases do
anime tendo as fases R, S, SS e Stars, mas tem muitas diferenças que, na minha opinião, tornam o quadrinho superior e bem mais atraente.
O mais importante de tudo para mim é que a Usagi no mangá não é burra, nem continua idiota como acontece durante toda a série de tv,
onde Usagi não evolui como personagem. Ela é somente uma adolescente mediana que
com o correr dos acontecimentos vai amadurecendo e deixando de lado suas infantilidades. A relação dela com Sailor Mars também não é de picuinhas ridículas como no anime, e
a própria Rei (Sailor Mars) é uma menina madura como no
encrenqueira chata das séries de tv. As outer seichis (Urano, Netuno, Plutão e Saturno) também são personagens bem importantes e, não,
figuras sem muita presença como no anime. Os dois generais que no anime são amantes (Zoicite e Malachite) não tem nenhum relacionamento
homossexual e o unico casal gay (lésbico) são Haruka (Urano) e Michiru (Netuno). Se não bastasse isso, existem
personagens que não estão no mangá e são criadas no anime, outras tem sua personalidade mudada (exemplos já foram dados), além, é claro,
da série animada recorrer a tantos clichês que acaba afastando muitos possíveis fãs. Eu, por exemplo, odiei as fases R, SS e Stars, mas pegando o mangá
percebi o quanto é diferente e, sem dúvida, melhor por apresentar tramas menos repetitivas, mais dramáticas e profundas, além das personagens bem mais complexas e
humanas. Sailor Moon mangá é, acima de tudo, uma série que fala de amizade e união, mostrando que mulheres podem, sim, manter fortes vínculos
e superarem juntas os obstáculos da vida, sejam os ordinários ou os extraordinários.
As últimas notícias de Sailor Moon estão certamente ligadas ao live action, que foi muito bem sucedido, e a republicação do mangá. Esta
nova edição contou com capas lindas capas redesenhadas,live action e não a
quadrinhos retocados, e menos volumes (o que indica mais páginas por volume). Nós aqui no
Brasil não temos nenhuma perspectiva quanto a publicação dessa série que é uma das mais pedidas pelos fãs. Na minha enquete da página de entrada, por exemplo,
Sailor Moon só perde para Karekano e para o queridinho do momento, Fruits Basket. Nenhum argumento é válido para justificar a não publicação de Sailor Moon no Brasil e, mesmo que
Naoko Takeuchi tenha proibido a publicação do mangá pelo mundo (algo muito improvável, essa proibição é relativamente recente.
Há quanto tempo Cavaleiros, Rayearth e Dragon Ball começaram a ser publicados? Será que Cavaleiros faz muito mais sucesso
do que Sailor Moon pelo mundo a fora? Só sendo
muito bobinha para acreditar que não foi falta de interesse das editoras nacionais. Por mais que eu tenha esperança, duvido que as coisas
mudem em um futuro próximo, até porque, se Sailor Moon está sendo particularmente discriminada, outros shoujo mangás não recebem
maior atenção nem respeito. Assim, o que os fãs podem fazer é continuar pedindo e fazendo propaganda da série, pois, talvez, um dia, alguma editora possa
decidir nos ouvir!
Entre os muitos sites sobre a série, recomendo o brasileiro S.O.S Sailor Moon Br
que é cheio de informações interessantes sobre o universo de Sailor Moon. Além disso, quem quiser ler os mangás Codename wa Sailor V e Sailor Moon, pode dar uma
passada no site do Shoujo Club, grupo brasileiro que se dispôs a fazer uma tradução de fã para fã da série enquanto não temos
o mangá em nossas bancas. Afinal, gostando, ou não, Sailor Moon é um
marco em seu gênero e, por isso mesmo, obrigatório.