Eu sou muito
muito fã de mangás e animes de esporte. Mesmo não sendo atleta, sempre me deixo conquistar
por uma boa história e, salvo Capitão Tsubasa, tudo o que eu vi até agora foi muito bom.
Aliás, Capitão Tsubasa acabou
plantando na cabeça das pessoas no Brasil que animes e mangás de esporte são ruins, cheios de enrolação, mas
Touch me ajudou a mudar de idéia.
Touch é, sem dúvida alguma, uma das séries de mangá e
anime mais amadas pelos japoneses. Para se ter uma idéia,
todos os anos seus 101 episódios são reprisados pela tv japonesa todos os anos e
uma das protagonistas, Minami Asakura, está sempre nas listas das personagens mais amadas do
universo dos mangás e animes. Touch não é shoujo, aliás, está longe disso, mas é um
shonen que reúne todos os elementos capazes de cativar as pessoas: uma boa história com momentos de humor e drama,
personagens psicologicamente bem definidos e complexos, uma grande tragédia... Além, é claro do traço
característico de Mitsuru Adachi, um dos grandes manga-kás japoneses.
Touch tem três protagonistas: a menina, Minami Asakura, e os gêmeos,
Tatsuya e Kasuya Uesugi.
Os três sempre foram vizinhos e colegas de brincadeiras, mas quando chega a adolescência
os sentimentos entre eles começam a mudar. Minami, que é praticante de ginástica rítimica, tem dois sonhos na vida, e esses sonhos envolvem cada
um dos dois meninos: ela deseja se casar com um deles e que o outro a leve até o Koshien.
Para quem não sabe, esse estádio é personagem sempre presente em todas as histórias de baseball,
e tem o mesmo peso do nosso Maracanã para o futebol brasileiro. É no Koshien que se
realiza a final do prestigiado campeonato de baseball estudantil japonês. Como a coisa é só para garotos, como fica claro em outro anime
Princess Nine, Minami precisa
que um dos rapazes chegue até a final por ela. Desde o início do anime/mangá já
sabemos quem dos dois Minami quer que realize cada um de seus sonhos e aí começa o problema, pois ambos os
rapazes são apaixonados por ela e por baseball também. Kasuya, o mais novo dos gêmeos,
é responsável, estudioso,
sensível e sonha em ir para o prestigiado Colégio Meisei, que possui um excelente time de baseball. Kasuya
faz o juramento de levar Minami ao Koshien. Já Tatsuya, o mais velho, é desorganizado, preguiçoso, irritante
e nunca parece preocupado com nada... Digo parece, porque mesmo que ele seja um adolescente realmente intragável às vezes,
o rapaz sempre se deixa passar por pouco competente para que seu irmão, a pessoa que ele mais ama e deseja proteger, possa brilhar.
Ele pouco interessado pelo baseball,
mesmo sabendo que tem genuíno talento para coisa, e, até se dar conta do
quanto ama Minami, ele pretendia abrir mão da moça também, apesar de saber que era amado por ela.
Os três vão estudar no colégio Meisei, Kasuya é aceito na equipe de baseball e Minami se torna manager da equipe.
Em histórias de baseball, a manager - função subalterna geralmente uma garota - é a faz tudo da equipe, de lavar uniformes até dar uma
de cheerleader. Mas Minami não permanece na função e passa a se dedicar exclusivamente à equipe de
ginástica rítimica, afinal, ela também tem um brilhante futuro como atleta pela frente. A competição,
mesmo que
não declarada, entre os irmão pelo coração da moça; os rivais, dentro e fora do campo, e pelo coração de Minami; as
trapalhadas de Tatsuya; tudo isso anima a história de Touch até que uma tragédia acontece... Um dos irmãos tem sua
vida interrompida por um acidente. A partir daí, a vida de Minami e do gêmeo sobrevivente nunca mais serão as mesmas.
Touch começou a ser publicado na revista Shonen Sunday em 1981 e durou até 1987. Ao todo são 26 volumes, que já foram republicados em outros
formatos. Eu tenho os quatro primeiros volumes originais. Em 1985, começou a ser produzida a série de tv que foi
seguida de três filmes que recontavam a história, alterando alguns fatos. Em 1998 foi produzido um filme comemorativo
dos dez anos da série de tv, o sucesso foi tremendo e em 2000 outro movie foi feito. Essas produções, as reexibições do anime, e as
republicações do mangá ajudam a manter Touch sempre vivo na memória dos japoneses. Tanto é assim que em 2005 foi produzido
um filme live action com atores de verdade, que fez bastante sucesso.
No Ocidente, acredito que a série só foi exibida
na Itália e na França, onde alcançou grande sucesso, mesmo que esses países não tenham tradição no baseball.
Alguns mangás de Adachi, além de outras de suas séries animadas (H2, Slow Step),
também foram lançadas nesses países. Nos EUA, só saiu Short Program uma coletânea de histórias curtas que não giram só em
torno dos esportes, afinal, Adachi gosta da coisa mas é capaz de fazer outros tipos de história também.. Apesar de desconhecido no Brasil -
já vi gente que nunca pegou nada dele dizendo que ele é um desenhista ruim -
Adachi é muito admirado mundo a fora e um dos manga-kás mais bem sucedidos do Japão.
Eu, particularmente adoro o traço dele, seu estilo de desenhar, apesar dele ter a mania de colocar seu corte de cabelo em quase
todas as meninas que desenha. Mais do que isso, ele domina muito bem a narrativa e é capaz de contar histórias
sem usar sequer um diálogo, como pode ser conferido na série Short Program.
Detalhe interessante é que Adachi também produz shoujos, sendo o mais famoso Slow Step. Outras de suas obras são Nine, Miyuki,
Rough, H2 e Short Program I e II.
Adachi também fez o character design dos OAVs de Bewitching Nozomi baseado em um famoso mangá de boxe.
Se você se interessou por Touch não fique triste, pois os fãs de Mitsuru Adachi estão trabalhando para que sua obra
seja divulgada no Ocidente. O Mangaproject está traduzindo o mangá
de Touch, mas se você quiser pegar os capítulos mais antigos deve usar
o Mirc e acessar o canal o canal deles. Já o anime de Touch voltou a
ser legendado, pois antes, só tínhamos acesso até o episódio #17. Procurem por ele nos sites de torrents e aproveitem, porque
é uma série de grande qualidade. Outros mangás de Adachi também podem ser encontrados em inglês
na rede como
Nine,
Rough,
Miyuki,
Slow Step e muitos outros.
Bem, como duvido que alguém vai publicar algo de Adachi por aqui, o caminho das pedras está indicado! 
Espero que minha resenha possa ter despertado a sua curiosidade e que você procure saber mais sobre as obras de Adachi,
em especial essa pérola que é Touch. É uma pena que
a visão limitada das nossas emissoras e editoras de tv não permitam que os animes de esporte cheguem por aqui, pois
nunca vi ninguém não gostar de Touch depois de assistir um pouquinho da série. Baseball, Box,
Ginástica, Tênis não deveriam ser vistos como obstáculo, mas no país do futebol só se permite exclusividade.
Sei que existem outros fãs de Adachi por aí e que sabem muito mais
do que eu sobre a obra desse mestre do mangá, então, podem mandar
qualquer sugestão ou crítica para mim. Se você quiser
conhecer outro anime de esportes, dê uma passada na seção de
Princess Nine, Ace Wo Nerae e
Attack Nº1, muito em breve devo estar incluindo Prince of Tennis na lista também.